Quimilokos de Plantão!

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Um pouco sobre o início...Será mesmo que começou por aqui?!


Uma breve história da Química

         Alquimia, uma mistura de ciência, arte e magia, que floresceu durante a Idade Média, tendo uma dupla preocupação: a busca do Elixir da Longa Vida, que conservaria a juventude, garantiria a imortalidade, a cura das doenças do corpo e a descoberta de um método para a transformação de metais comuns em ouro (Transmutação), que ocorreria na presença de um agente conhecido como “Pedra Filosofal”.
            Os laboratórios eram antros negros e sinistros, cheios de odores nauseabundos. As prateleiras e mesas estavam sempre cheias de frascos de formas e cores bizarras. Em torno, espalhavam-se em desordem, papéis cobertos de sinais cabalísticos.
            Um dos seus sonhos era a transformação de qualquer metal em ouro. Acreditavam que todos os metais eram, na realidade, ouro, o “metal perfeito”, em estado de impureza. Esforçavam-se, por isso, para encontrar um fermento misterioso que tivesse a propriedade de transformá-los. Chamavam esse fermento sólido de “Pedra Filosofal”.
            À procura pelo ouro não era motivada por razões econômicas, mas sim porque, com sua resistência a corrosão, representava a perfeição divina. Contudo, muitos charlatões se aproveitaram de encenações simulando a transmutação para enriquecer a custa da boa-fé de alguns (ingênuos) adeptos da Alquimia.
            Na China, as especulações dos alquimistas conduziram ao domínio de muitas técnicas de metalurgia e a descoberta da pólvora. Os chineses foram os inventores dos fogos de artifício e os primeiros a usar a pólvora em combate, no século X.
            Esses objetivos nunca foram alcançados pelos alquimistas, mas permitiram o desenvolvimento de vários aparelhos e técnicas laboratoriais importantes. Muitos progressos no conhecimento das substâncias provenientes de minerais e vegetais foram obtidos no Ocidente e no Oriente. Desenvolveram processos importantes para a produção de metais, de papiros, de sabões e de muitas substâncias, como o ácido nítrico (chamado na época de aquafortis), o ácido sulfúrico (oleumvitriolum), o hidróxido de sódio e o hidróxido de potássio.
            No século XVI , o suíço Theophrastus Bombastus Paracelsus propôs que a Alquimia deveria se preocupar, principalmente, com o aspecto médico em suas investigações. (Isso ficou conhecido como Iatroquímica). Segundo ele, os processos vitais podiam ser interpretados e modificados com o uso de substâncias químicas contribuindo no diagnóstico e no tratamento de algumas doenças foi digna de nota.
            Os últimos anos do século XVI e o transcorrer do XVII firmaram os alicerces da Química como Ciência, com a publicação do livro Alchemia , do alemão Andreas Libavius. Nos séculos XVIII e XIX , os trabalhos de Lavoisier, Berzelius, Gay-Lussac, Dalton, Wöhler, Avogadro, Berthelot, Kekulé e tantos outros deram origem à chamada Química Clássica . No século XX , com o grande avanço tecnológico, presenciou-se uma vertiginosa evolução do conhecimento químico. Modernas técnicas de investigação foram desenvolvidas, utilizando conceitos de Química, Física, Matemática, Computação e Eletrônica.
            A Química tornou-se, então, uma Ciência, que acompanhou todas as etapas da evolução da cultura humana, mas, ainda hoje, é considerada por muitos como um produto de magia.



RENASCIMENTO
            Finda-se o período Medieval e, com ele, a hegemonia da Igreja Católica que começa, a partir desse momento, a ser questionada. Trata-se de um momento em que os direitos das nações e dos cidadãos sobrepuseram-se à tradição universal da autoridade religiosa.
Para que ocorressem tais mudanças na forma como o homem via o mundo e via a si próprio, passamos por um período conhecido por Renascença, o momento dessa grande transição.


O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO NA RENASCENÇA
·         Química: Teve uma enorme influência da Alquimia, principalmente com Paracelso que, além de alquimista, era médico renomado. Outro nome importante foi o do médico e químico alemão Andréas Libavius, que escreveu Alquimia, considerado o mais bonito livro de química do século XVII. Nesse período, mesmo fortemente marcados pelo hermetismo (transmutação), a Alquimia prestou significativa colaboração nas técnicas de metalurgia e de mineração, os primeiros ramos da química a contribuir para os aperfeiçoamentos tecnológicos.
·         Física: Não teve um desenvolvimento significativo nesse período: destacaram-se os estudos de magnetismo por Simon Stevin, de mecânica por William Gilbert e alguns trabalhos de óptica.
·      Ciências Médicas: Ganharam impulso com o surgimento das Universidades e com o início da experimentação na anatomia. Maior destaque se dá ao belga André Vesálio.
·         Astronomia: Neste ramo, destaca-se Nicolau de Cusa (Nikolaus Krebs) com a proposição de que a Terra não seria o único lugar no universo em que havia vida.
·         Arte: Na Renascença, merece destaque o artista e sábio Leonardo da Vinci (1452-1519), que foi um homem de saber enciclopédico, exímio conhecedor de anatomia, geologia, botânica, hidráulica, óptica, matemática, arquitetura, engenharia, fortificações militares e filosofia. Sabe-se que os objetos do pensamento humano são: a filosofia, as artes, a religião e os conhecimentos científicos. De todos, somente a Ciência, por suas características,  universalizou-se. Não se tem uma arte universal, uma religião universal, uma filosofia universal, mas se tem uma ciência universal. Foi assim, no Renascimento, com o concurso dos povos árabes, que começou o desenvolvimento da Ciência e que chegou até os nossos dias.

IMPEDIMENTOS PARA O AVANÇO CIENTÍFICO
                        Torna-se necessário avançar! Já não bastava mais apenas o conhecimento herdado da Antiguidade Clássica. Porém, havia impedimentos e dificuldades para que a Ciência progredisse. Dentre eles podemos destacar:
·         A mitificação da Ciência Grega: Os livros de Aristóteles tinham sido comentados por Tomás de Aquino e logo foram adotados pela Igreja, tornando-a intocável. Dessa forma, a primeira dificuldade foi superar esta mitificação, ou seja, admitir que a Ciência grega continuava com equívocos que deviam ser reparados. Roger Bacon, monge franciscano e um dos precursores da Ciência experimental no século XIII, chegou a dizer que a Ciência grega estava toda errada, o que certamente era um exagero.
·         Restrições Religiosas: O patrocínio das Ciências pela Igreja exigia que todo conhecimento científico estivesse de acordo com a interpretação dada pelos doutores da época às Sagradas Escrituras, fazendo com que todos que não concordassem fossem considerados hereges. O surgimento do protestantismo mudou um pouco essa situação, na medida em que os protestantes achavam que a Ciência ajudava a compreender melhor a obra de Deus.
·         Superstições e Magias: Quando a Ciência nasceu ela trazia em si todo um revestimento de magia. Foi preciso que a mente humana se afastasse das superstições herdadas da Idade Média e passasse à observação dos fenômenos, à sua catalogação, análise e conclusão através de um modo racional de pensar. Inicialmente, com grande dificuldade, devido à falta de uma metodologia, até que se chegou ao Método Científico, que foi a pedra de toque para que a Ciência vencesse todas essas dificuldades e, enfim, desabrochasse.
A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA DO SÉCULO XVII
                        Para romper com todos os impedimentos ao avanço científico, foi preciso que homens corajosos superassem tais dificuldades e realizassem a conhecida Revolução Científica, período que se iniciou no século XV e se estendeu até o século XVII.

                        Sabe-se que a Ciência, em todos os tempos, foi construída por milhares de trabalhadores anônimos. Credita-se grande parte das descobertas desse período (século XVII) à tríade Copérnico-Galileu-Newton, mas ao lado desses três gigantes, vamos encontrar muitos nomes que deixaram o anonimato para se incorporar a essa tarefa de construção do saber científico.

Um mol de abraços a todos!!


Mini Galáxias no Shopping

















Você gosta de assuntos relacionados ao Espaço Sideral, ao Universo?
O que você acha de carregar uma galáxia consigo?
Essa foi nossa experiência de hoje, no Shopping Cidade Jardim: montar pequenas galáxias dentro de potinhos!
Foi uma graça!!
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Ciência também pode ser divertida!
Basta você saber como olhar!
Se ainda não conseguiu visualizar...já pensou em "trocar seus óculos"?!
hehehe
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Fiquem com algumas imagens desse momento!









Tensão Superficial

Olá olá!!
E quem disse que paramos nas férias?!
Hoje foi dia de explorar o processo de Tensão Superficial de alguns tipos de líquidos com as crianças e jovens (e vários outros curiosos, hehehe), no Shopping Cidade Jardim.
E, ninguém melhor do que a "Princesa Jujuba" para nos acompanhar neste dia!
=D
Fiquem com algumas imagens!






Matemáticos sugerem nova organização para a tabela periódica


Existem diversas releituras da tabela periódica dos elementos químicos — e os matemáticos doInstituto Max Planck em Leipzig, na Alemanha, criaram mais uma. De acordo com eles, sua interpretação é mais versátil e fornece muitos sistemas periódicos diferentes, dependendo do princípio da ordem e classificação, o que é útil não só para a Química, mas também para outros campos do conhecimento.
A organização mais famosa dos elementos químicos foi criada pelo russo Dmitri Mendeleev e pelo almeão Lothar Meyer na década de 1860. Nela, os especialistas criaram um arranjo de elementos baseado em suas massas e semelhanças atômicas — hoje as substâncias são classificadas por seu número atômico (que indica o número de prótons no núcleo atômico), desde o hidrogênio leve (um próton) até o oganesson exótico (118 prótons).
Os elementos também são classificados em grupos: átomos na mesma coluna geralmente têm o mesmo número de elétrons em sua camada de valência, por exemplo. Também está incluído o peso atômico do elemento, o símbolo atômico e uma cor que simboliza qual grupo possui propriedades químicas e físicas particulares em comum a que um elemento pertence.
Contudo, os especialistas não concordam com o posicionamento de várias substâncias, como o lantânio e actínio. Por isso os matemáticos focaram no desenvolvimento de uma representação mais versátil dos elementos, algo que pudesse ser observado de vários ângulos.
Como conta um dos membros do projeto, Guillermo Restrepo, sua releitura é como uma escultura que, dependendo de onde está sendo iluminada, pode obter diferentes sombras —  sendo que todas estão corretas. “As várias sombras que a figura molda são as tabelas periódicas. É por isso que existem muitas maneiras de criar essas tabelas. De certa forma, as tabelas de período são projeções. Projeções da estrutura interna da tabela periódica como uma espécie de escultura", disse o matemático em comunicado.
Para que uma organização possa ser definida como tabela periódica ela precisa ser ordenada, ou seja, os itens precisam ser catalogados, como os elementos; precisa ser organizada de acordo com uma propriedade particular, como número atômico ou massa atômica; e precisa ser agrupada de acordo com um critério, como similaridade química.
“Investigamos quase 5 mil substâncias constituídas por dois elementos em proporções diferentes”, explica Guillermo Restrepo. “Então, procuramos semelhanças nesses dados. Por exemplo, o sódio e o lítio são semelhantes porque combinam com as mesmas substâncias nas mesmas proporções (por exemplo, com oxigénio ou cloro, bromo e iodo). Encontramos, portanto, padrões que podemos usar para classificar os elementos”.


"Ao infinito, e aléééémm!"








Mais uma missão cumprida com sucesso e com muito orgulho!
Palestra: "Lumus, Accio, Imperius": a Alquimia dos processos de ensino aprendizagem por meio do lúdico, ministrada no V CISEQUI (Formação inicial e a pesquisa: possibilidades teórico metodológicas para a prática docente) da UEG, em Anápolis.
Meus agradecimentos à professora e amiga Nília Lacerda pelo convite! Estou sempre à disposição! Conte comigo!
Agradeço ao meu Comandante e Coordenadoras pela prestatividade e pelo zelo comigo e com nossos alunos, os verdadeiros astros de tudo o que foi dito e construído nesta palestra de hoje!
Vocês são tuuuuudo!!!
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#professorathaizamontine  #professoralúdica #professoraporamor #professoracomorgulho #professordecosplay #professoracosplayer #professoradequimica
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Quer saber mais?!
Acesse:


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Antropologia Digital: vamos falar de jogos?






E hoje foi uma tarde linda e produtiva!
No Auditório 2 da Área II da PUC, pudemos interagir, Fausto, Prof. Fernando e eu, com um público variado (em grande parte da Ciência da Computação), a respeito dos jogos em suas mais diversas vertentes e a relação com o indivíduo e com o meio!
Agradeço, mais uma vez ao convite, e saio novamente, revigorada!
É incrível falar com pessoas mais novas neste ramo! É extremamente enriquecedor o que se aprende e o que podemos contribuir por tabela.
Sim, hoje saio revigorada e reabastecida para, pelo menos o término deste semestre!
Hehehe!
Muito obrigada a todos que também compareceram.
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#professoralúdica
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#professoraporamor
#professoracomorgulho
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#professoracosplayer 
#professordecosplay
#atividadeslúdicas 
#jogoseducativos 
#6hquímica 
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Quer saber mais?!
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Pula pula científico x Cabo de Guerra do Conhecimento






"Há uma enorme variedade de movimentos no Universo!"
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Hoje, na aula de Ciências, os 9°s anos aprenderam, na prática sobre os movimentos e suas causas.
Com um simples "cabo de guerra", estudamos sobre a intensidade, a direção e o sentido das Forças!
E, com um pula pula, uma bola de vôlei e bolinhas de gude, puderam verificar a ocorrência das Leis de Newton! Além de aprenderem um pouco sobre as Forças "peso", "normal", "atrito" e "gravidade"; e sobre centro de massa.
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Pensa numa aula massa!
Ahh! Física é massa!! ”
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A ciência de Vingadores: Ultimato

Oi oi ois!
Aproveitando essa vibe fantástica da estreia de Vingadores Ultimato, vou deixar este vídeo, diga-se de passagem SEM SPOILERS, para se divertirem, aprendendo um pouco mais!!
Espero que gostem!
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Substâncias e Sistemas

Um olá para meus 9ºs anos!
Segue  material usado em aula.
Você pode encontrar o texto completo, usado para montar esses slides, em:
Bons estudos!!

De Wöhler à Estrutura Tetraédrica do Carbono



A expressão “química orgânica” tem origem no século XVIII, quando se acreditava que os compostos de carbono só poderiam ser obtidos de organismos vivos [Teoria da Força Vital]. A primeira separação da Química em Inorgânica e Orgânica ocorreu por volta de 1777. Essa separação foi proposta pelo químico alemão Torbern Olof Bergman (1735-1784), que definiu:

· Química Inorgânica é a parte da Química que estuda os compostos extraídos dos minerais.
· Química Orgânica é a parte da Química que estuda os compostos extraídos de organismos vivos.
            Com base nessa definição, Jöns Jacob Berzelius (1779-1848) formulou a Teoria da Força Vital, ou Vitalismo, segundo o qual os compostos orgânicos necessitavam de uma força maior, a vida, para serem sintetizados.
            Em 1828, um aluno de Berzelius, Friedrich Wöhler (1800-1882), derrubou essa Teoria, sintetizando em laboratório a uréia, CO(NH2)2 , um composto orgânico integrante do suor e da urina dos animais, pelo simples aquecimento de um composto inorgânico extraído de minerais, o cianato de amônio , NH4OCN.
Δ
                                                        NH4OCN → O = C(NH2)2

            Abandonada a Teoria da Força Vital, a denominação deixou de ter sentido, porém foi mantida por tradição.

            A Química Orgânica está intimamente ligada à vida na Terra. Se os compostos de carbono fossem removidos do corpo humano, não restaria mais do que água e alguns resíduos de minerais. O mesmo aconteceria com qualquer organismo vivo.

            Carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas, hormônios, enzimas e muitos remédios são compostos orgânicos. Da mesma maneira, plásticos, perfumes, aromatizantes, sabões, detergentes, borracha e outra infinidade de matérias contêm compostos orgânicos. Percebeu-se então que a definição de Bergman para a Química Orgânica não era adequada. Devido à presença constante do carbono nos compostos orgânicos conhecidos na época, como a uréia, o ácido tartárico, a glicerina, o ácido cítrico e o ácido lático, dentre outros, o químico alemão Friedrich August Kekulé (1829-1896) propôs em 1858 a definição aceita atualmente:

Química Orgânica é a parte da Química que estuda praticamente todos os compostos do elemento carbono.

            Desse modo, a Química Inorgânica é a parte da Química que estuda os compostos dos demais elementos e alguns poucos compostos do elemento carbono, que são denominados compostos de transição. Esse pequeno grupo de compostos, chamados de transição, possui o carbono, mas tem propriedades semelhantes às dos compostos inorgânicos. Dentre eles podemos citar o gás carbônico, o monóxido de carbono, o cianeto de hidrogênio e o isocianato de hidrogênio.

            Com a síntese da ureia, Wöhler deu início a um grande campo de pesquisa, o das sínteses orgânicas. Hoje são conhecidos por volta de 7 milhões de compostos orgânicos contra 200 mil inorgânicos.

             Comparecendo com apenas 0,08% em massa do planeta e aproximadamente 12% nos seres vivos, o que torna o carbono um elemento químico tão especial?

            Se os compostos de carbono podem ser sintetizados em laboratório, por que estudá-los separadamente dos compostos inorgânicos?

POSTULADOS DE KEKULÈ

A segunda metade do século XIX presenciou o nascimento das primeiras concepções realmente consistentes sobre estruturas químicas. Em 1852, o químico inglês Edward Frankland [1825-1899] publicou um trabalho em que aparecia a expressão valência [do latim valentia = que tem força, poder]. Segundo Frankland, cada átomo teria o poder de ligar-se a um número fixo de outros átomos, ou seja, a uma certa valência. O hidrogênio, por exemplo, teria valência 1, e o oxigênio, valência 2. Isso permitia prever que a fórmula da água poderia ser H – O – H , ou seja H2O. 

Oito anos mais tarde, em 1860, o químico italiano Stanislao Cannizzaro [1826-1910] mostrou que substâncias diferentes poderiam ter a mesma proporção de átomos, ou seja, a mesma fórmula mínima. Assim, tanto o etileno como o ciclohexano, poderiam apresentar a fórmula CH2. Foi a partir dessa observação que nasceu a diferença entre a fórmula mínima (CH2) e a fórmula molecular: C2H4 (etileno) e C6H12 (ciclohexano).

Mas qual seria a geometria das moléculas, ou seja, como poderiam ser construídas as fórmulas estruturais espaciais?
            Entre 1858 e 1861, praticamente na mesma época dos trabalhos de Cannizzaro, vários cientistas elaboravam outras teorias sobre estruturas moleculares. Foi assim que o químico inglês Archibald Couper [1831-1892] sugeriu que cada valência do átomo fosse indicada por um traço, dando origem à fórmula estrutural plana, também conhecida no meio científico como fórmula de Couper. Na mesma época, mas de maneira independente, surgiram trabalhos semelhantes, como o do químico alemão August Kekulé.


            Para explicar a razoável quantidade de compostos orgânicos já conhecidos, alguns com fórmulas moleculares semelhantes, Kekulé propôs hipóteses extraordinárias:

 O carbono teria quatro valências.

 Os átomos de carbono poderiam formar cadeias.

 Os átomos de carbono poderiam unir-se entre si, utilizando uma ou mais valências. [Surgia assim o conceito de ligação simples, dupla e tripla].

# A estrutura tetraédrica do Carbono


Apesar de as propostas de Couper e Kekulé serem de grande importância, eram apenas fórmulas planas, em duas dimensões. Colocou-se, então, a seguinte questão: essas fórmulas corresponderiam às geometrias reais das moléculas? Ou seja, de que maneira os átomos estariam efetivamente dispostos no espaço?

As primeiras respostas surgiram 15 anos depois, com os trabalhos independentes do químico holandês Jacobus H. Van’t Hoff [1852-1911] e do químico francês Joseph Achille Le Bel [18471930].


            Em 1874, esses jovens cientistas propuseram um conjunto de hipóteses, de elevada criatividade e profunda importância para o futuro da Química Orgânica.

Veja:

As quatro valências do carbono estariam dirigidas para os vértices de um tetraedro.
As quatro valências seriam espacialmente equivalentes.
As ligações simples, dupla e tripla seriam correspondentes a diferentes formas de união entre dois tetraedros.



CURIOSIDADE

Um grupo de cientistas confirmou a existência de uma molécula de carbono exótica que pode formar seis ligações – o que significa que a Teoria da tetravalência do Carbono está ultrapassada.

Em 1973, investigadores alemães propuseram que poderia ser teoricamente possível criar uma molécula de carbono com seis ligações, usando hexametilbenzeno. O anel hexagonal plano consiste em seis átomos de carbono (cinzentos), que se ligam a seis “braços” de carbono extra e aos átomos de hidrogênio (brancos).

Os átomos de carbono formam uma ligação com três outros átomos de carbono, ou uma ligação com um carbono, e três átomos de hidrogênio.

Numa ligação típica, são compartilhados dois elétrons – um de cada átomo. Os elétrons restantes que não são compartilhados permanecem no meio do anel para reforçar as ligações existentes.

No passado, os cientistas alemães questionaram o que aconteceria se a molécula de hexametilbenzeno perdesse dois elétrons.

Os especialistas propuseram que isso forçaria a molécula a formar uma versão muito menos estável, positivamente carregada, de si mesma, que basicamente colapsaria numa espécie de pirâmide.

Como o composto só é estável quando criado em ácido extremamente potente, ninguém tinha verificado a forma da molécula, até agora.

Uma equipe de cientistas liderada pelo químico Moritz Malischewski, da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, decidiu tentar sintetizar uma molécula de hexametilbenzeno para confirmar a sua estrutura.

Assim que o composto cristalizou, a equipa usou raios-X para criar um modelo 3D, e descobriu que dois elétrons tinham sido empurrados para fora da estrutura, o que mudou dramaticamente o seu interior.

Um átomo de carbono saltou do anel e adquiriu uma nova posição no topo, transformando a forma hexagonal numa pirâmide de carbono de cinco lados. Como resultado, o carbono em cima da pirâmide estava ligado a seis outros átomos de carbono – cinco no anel abaixo, e um acima.

No entanto, o estudo publicado na revista Angewandte Chemie revela que estas seis ligações de carbono não são tão fortes ou estáveis como as quatro ligações da maioria dos compostos.

A confirmação de uma teoria com 40 anos significa que os especialistas têm, agora, a certeza de que a ligação de carbono é muito mais complexa do que pensávamos – e que há a possibilidade de existirem estruturas moleculares ainda mais estranhas.

 
Pirâmide de Carbono de cinco lados
REFERÊNCIAS: