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George e o Segredo do Universo

Olá pessoas!
Hoje venho trazer alguns dados a respeito do livro que trabalharei com meus 3º anos do CEJA e do CPMG.AS, "George e o Segredo do Universo".

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Começo a resenha com um trecho do Juramento do Cientista: “Juro usar meu conhecimento para o bem da Humanidade. Prometo Jamais causar dano à pessoa alguma na minha busca de sabedoria”. E aí, deixo o alerta a você, caro leitor(a): Siga as palavras à risca para não sofrer a Maldição da Vida Alienígena.

No início dos anos 80 o Sistema Solar contava com 9 planetas. Eu tinha 8 anos e não sei se aprendi isso nas aulas de ciências ou nas madrugadas assistindo a série COSMOS de Carl Sagan. O fato é que ficava acordado até tarde para ver aquelas imagens maravilhosas do universo e do planeta Terra. Muito antes do telescópio Hubble e dos efeitos da computação gráfica. Temas fascinantes para olhares curiosos e o meu sempre o foi. Mas falar sobre o Universo é trabalhar lado a lado com a Física, uma matéria nada dócil quando não se tem o dom para a coisa. Nunca fui fã da matéria. Tinha facilidade para decorar as fórmulas, mas não entendia bem o porquê daquilo tudo. Acabei me entregando às explicações que lia nas revistas em quadrinhos. Os segredos científicos desvendados por Reed Richards do Quarteto Fantástico, por exemplo, constituíam a minha Ciência particular. Havia uma lógica ali que cabia na minha cabeça fértil por descobertas. É claro que guardava para mim toda aquela gama de conhecimento sobre raios cósmicos, universos paralelos e buracos negros. Afinal, ninguém mais me explicava como o mundo estava ali, cheio de hidrogênio, oxigênio, moléculas de carbono...
Talvez não passe pela cabeça dos adultos que este assunto seja de interesse infantil. Pois bem, acabei de ler o livro GEORGE E O SEGREDO DO UNIVERSO (Lucy e Stephen Hawking, Ediouro) e o menino que habita em mim adorou. Acredito que uma criança por volta dos 10 anos poderá se divertir com esta ótima aventura e aproveitar para conhecer o motivo que levou a comunidade científica a considerar apenas 8 os planetas do nosso Sistema Solar. Há mais descobertas: é possível escapar de um buraco negro; dá para imaginar como seria viajar num cometa; visualizar o nascimento e a morte de uma estrela, além de outras informações acerca dos mistérios do universo. Os autores (Stephen Hawking – um dos maiores gênios da Física e sua filha Lucy) escrevem numa linguagem fácil demonstrando uma paixão pelo assunto que contagia o leitor com o vírus do conhecimento. Enfim, ciência e a fantasia juntas, num livro recheado de delícias.
Uma delas é o trabalho do ilustrador Garry Parsons que dá ainda mais agilidade à história que fala do encontro de George, um menino cuja família vive às margens da tecnologia, com sua nova vizinha, Annie, uma menina muito esperta que guarda em casa o computador mais poderoso do mundo: Cosmos. Daí, a ponte para viagens ao espaço, intrigas na escola, um professor misterioso e descobertas científicas. Outra delícia são as fotos coloridas de estrelas, cometas, planetas, luas, nebulosas e outros elementos do universo. Há ainda – paralelo ao enredo – quadros explicativos com curiosidades sobre o Sistema Solar. A história, embora recheada de verdades absolutas, é uma grande ficção. Um delicioso petisco para iniciar a garotada no fantástico mundo da ciência. Neste livro, o leitor verá que um pouco de ciência pode entreter e ao mesmo tempo abrir seus olhos para o que acontece “lá fora”.

Agora, nunca esqueça do Juramento do Cientista. Use o conhecimento para o bem, senão poderá ser vítima da Maldição da Vida Alienígena que vocifera: “Você ficará verde, o seu cérebro borbulhará e vazará pelas orelhas e pelo nariz. Seus ossos virarão borracha e nascerão centenas de verrugas pelo seu corpo. Só poderá comer espinafre e brócolis e jamais tornará a assistir televisão, pois ela fará seus olhos caírem da cabeça”. Putz, nem na série V – A Batalha Final tinha uma maldição desta qualidade!!! That´s all, folks.

P.S. 1. Os trechos em laranja foram copiados do livro.
P.S. 2. Para os adultos que resistem a um livro com “caráter infantil” mas estão em busca de alguma ficção com noções sobre o universo, recomendo a leitura de Contato, de Carl Sagan. Se a preguiça atacar, vá à locadora e peça a versão cinematográfica, com Jodie Foster. Os dois são imperdíveis!!!

P.S. 3. A primeira foto é a do maior Buraco Negro já descoberto, com 22 a 34 vezes a massa do Sol.
P.S. 4. Para os amantes da Ficção Científica e loucos por um humor refinado recomendo O GUIA DO MOCHILEIRO DAS GALÁXIAS, de Douglas Adams. É ÓTIMO!!!

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Andei dando uma busca nos sites onde tenho hábito de comprar livros e encontrei os seguintes valores:
AMERICANAS - 37,90
Isso aqui, pela internet! Não sei informar a vocês os valores em cada loja.
O que eu encontrei em PDF, é um PDF on line, ou seja, você o lê, mas não o salva.
Mas já é alguma coisa, não?!
O link do GEORGE E SO SEGREDO DO UNIVERSO PDF ON LINE é:

E, para complementar...Segue uma biografia do STEPHEN HAWKING:

A biografia de Stephen Hawking: Deus, a ciência e eu 

Um dos homens que mudaram a concepção do Universo, o físico inglês Stephen Hawking, conta histórias da Física e de sua vida em seu segundo livro recém-lançado na Europa.


 O sucesso de Uma breve história do tempo — seu primeiro livro, traduzido em trinta idiomas e com 5,5 milhões de exemplares vendidos desde o lançamento em abril de 1988 — levou Hawking a escrever História do tempo: um guia para o leitor (ainda não editado no Brasil). Nele, o físico fala de seu empenho em aprender, comunicar-se, viver, e ainda oferece informações adicionais para auxiliar os leitores a compreender melhor os conceitos expostos em Uma breve história do tempo e também no filme de mesmo nome, dirigido por Errol Morris. Astro principal da história, Hawking estranhou o roteiro quando as filmagens começaram. Segundo ele, havia pouca ciência e muita biografia, coisa que de cara tinha descartado. Mas, depois, o cineasta o convenceu de que tinha de ser assim, pois o filme imaginado pelo físico, mais ao estilo documentário, atrairia apenas um pequeno grupo de pessoas. Hawking acabou concordando, pois, em sua opinião, “Morris é um homem íntegro, coisa pouco freqüente no mundo do cinema”. O resultado será, com certeza, um novo best seller e um filme bem-sucedido. Reproduzimos a seguir alguns dos trechos mais surpreendentes desse guia para o leitor.

Sob o signo de Galileu
“Nasci em 8 de janeiro de 1942, exatamente 300 anos depois da morte de Galileu. Calculo, entretanto, que naquele mesmo dia nasceram outros 200 000 bebês e desconheço se algum se interessou posteriormente por Astronomia. Vim ao mundo em Oxford, embora meus pais vivessem em Londres. Era um bom lugar para nascer durante a guerra, graças ao acordo pelo qual os alemães tinham se comprometido a não bombardear Oxford nem Cambridge se os britânicos respeitassem Heidelberg e Göttingen (essas cidades eram e continuam a ser sede de quatro grandes e seculares universidades). Foi uma pena que esse tipo de pacto civilizado não se estendesse a outros lugares.
Meu pai era de Yorkshire, de uma família arruinada em princípios deste século e, mesmo assim, conseguiu enviá-lo a Oxford para estudar Medicina e ele logo se especializou em Medicina tropical. Minha mãe nasceu em Glasgow, Escócia, e, como meu pai, pertencia a uma família de poucos recursos. Apesar disso, ela também pôde ir para Oxford. Ao sair de lá, teve vários empregos, entre eles o de fiscal fazendária. Mas ela não gostava daquele mundo e o deixou para tornar-se secretária. Foi assim que conheceu meu pai, nos primeiros anos da guerra.
Eu era um menino bastante normal, lerdo para aprender a ler e muito interessado em como funcionavam as coisas. Na escola nunca estive entre os primeiros da classe (era um grupo muito brilhante). Quando eu tinha 12 anos, um amigo apostou com outro um saco de caramelos como eu não seria nada na vida. Não sei se a aposta foi paga ou, caso tenha sido, quem foi o ganhador.

Oxford apático
Meu pai queria que eu estudasse Medicina. Para mim, a Biologia era muito descritiva e não suficientemente fundamental. Eu preferia estudar Matemática e Física. De sua parte, meu pai achava que a Matemática não tinha outra saída que não fosse o ensino, e por isso me fez aprender Química e Física. Além do mais, ele pretendia que eu me matriculasse no mesmo centro que ele, a Universidade de Oxford. Mas lá não se ensinava Matemática naquele tempo. Quando chegou o momento, em 1959, ingressei na dita instituição para estudar Física, o que realmente me interessava.
A maioria de meus companheiros de universidade tinha feito o serviço militar e, portanto, eram maiores de idade. Durante o primeiro ano e parte do segundo me sentia muito sozinho. Até o terceiro ano não me senti à vontade. Na Oxford daquela época, a atitude predominante era o antitrabalho. Supunha-se que se deveria ser brilhante sem fazer nenhum esforço ou aceitar as próprias limitações e conseguir um título de quarta categoria. Esforçar-se para obter uma qualificação melhor era considerado coisa de medíocre, a pior palavra do vocabulário oxfordiano.
Naquele tempo, os cursos de Física de Oxford estavam enfocados de tal forma que era fácil evitar o trabalho. Tive de fazer um exame médico antes de entrar na universidade e não voltei a ser examinado outra vez até o final do curso, três anos depois. Segundo meus cálculos, devo ter estudado aproximadamente umas mil horas durante esse período, uma hora diária em média. Não tenho orgulho de ter trabalhado pouco, simplesmente descrevo minha atitude de então, compartilhada pela maior parte de meus colegas: apatia diante de tudo e a sensação de que nada valeria a pena se fosse necessário esforçar-se por alguma coisa.

Crônica de uma morte sonhada
Pouco depois de fazer 21 anos entrei no hospital para fazer uns exames. Extraíram uma amostra de tecido muscular do meu braço, me colocaram eletrodos e injetaram um líquido de contraste em minha coluna para observar, por meio de raios X, como ela subia e descia ao se inclinar a cama. O diagnóstico foi esclerose lateral amiotrófica, ou doença dos motoneurônios, como é conhecida na Inglaterra.
Ao saber que tinha uma doença incurável, que provavelmente me levaria à morte em poucos anos, sofri uma comoção. Como isso podia ter acontecido comigo? Naquela época, meus sonhos eram bastante perturbadores. Antes que diagnosticassem minha enfermidade cheguei a ficar aborrecido com a vida. Parecia nada valer a pena. Porém, pouco depois de sair do hospital sonhei que iam me executar. De repente, compreendi que se eu fosse indultado poderia fazer muitas coisas interessantes. Na raiz da minha doença cheguei à seguinte conclusão: quando temos de enfrentar a possibilidade de uma morte prematura, nos damos conta de quanto viver vale a pena.

O sentido da vida
Parecia-me não ter sentido continuar com minhas pesquisas, pois não esperava viver o suficiente para terminar o doutoramento. Com o passar do tempo, a indolência recuou. Comecei a entender a relatividade geral e a progredir em meus estudos. No entanto, o realmente decisivo foi meu compromisso com uma mulher chamada Jane Wilde. Ela me deu uma razão para viver e me fez entender que tinha de conseguir um trabalho se queríamos nos casar.
Meu pedido para fazer pesquisa em Cambridge foi aceito, embora tenha me decepcionado ao saber que meu orientador não seria Fred Hoyle e sim um desconhecido chamado Dennis Sciama (provavelmente, Hawking não o conhecia na época, mas ele é um dos maiores físicos do pós-guerra). Tanto um quanto outro acreditavam na teoria do estado estacionário, segundo a qual o Universo não teria princípio nem fim no tempo. No final, a mudança de orientador resultou muito gratificante. Hoyle viajava sem cessar ao exterior, e era provável que eu o visse muito pouco. Sciama, ao contrário, estava sempre à mão, e sua presença era estimulante, ainda que freqüentemente não compartilhasse de suas idéias. Assisti ao seminário no qual se anunciou a existência dos pulsares (estrelas que emitem pulsos regulares de rádio, e parecem uma mensagem cifrada, daí a piada de que seriam sinais de extraterrestres). A sala estava enfeitada com homenzinhos verdes de papel. Os primeiros quatro pulsares descobertos foram batizados de LGM I, II, III e IV. LGM é a sigla em inglês para Little green men, homenzinhos verdes.

No princípio foi a singularidade
As observações das galáxias remotas indicam que elas estão se distanciando de nós. O Universo está em expansão. Isto quer dizer que os astros tinham de estar mais juntos no passado. E aqui surge uma questão: houve um tempo em que todas as galáxias estiveram comprimidas num único ponto e a densidade do Cosmo era infinita? Ou houve uma fase prévia de contração na qual as galáxias evitaram se chocar? Talvez tenham passado umas ao lado das outras em grande velocidade e em seguida começado a se distanciar. Para responder a essa pergunta eram necessárias novas técnicas matemáticas. Estas, em sua maior parte, foram desenvolvidas entre 1965 e 1970 por Roger Penrose e por mim mesmo. Nós as utilizamos para demonstrar que se a teoria geral da relatividade estava certa, devia haver um estado de densidade infinita no passado. Esse fenômeno é conhecido como a singularidade do Big Bang e constituiria o princípio do Universo. Diante dele, todas as leis conhecidas da ciência viriam abaixo. Isso significaria que, se a relatividade geral está correta, nós cientistas não poderíamos deduzir como começou o Cosmo.

Buracos negros e espaguetes
Cair num buraco negro se transformou num dos horrores comuns da ficção científica. Porém, os buracos negros já podem ser considerados realidades científicas. Como é lógico, os escritores de histórias fantásticas somente se interessam pelo que acontece se você despencar num deles. Uma idéia muito difundida é que se o buraco negro tem um movimento rotatório, você pode entrar num pequeno vazio de espaço-tempo e sair em outra região do Universo. Obviamente, isso abre enormes possibilidades às viagens pelo Cosmo. Com efeito, necessitamos algo assim para poder visitar outras estrelas, para não dizer outras galáxias. Do contrário, já que nada pode viajar mais rápido que a luz, um périplo de ida e volta à estrela mais próxima duraria oito anos. Esqueçamos os fins de semana em Alfa Centauro. Por outro lado, se pudéssemos passar através de um buraco negro, reapareceríamos em qualquer lugar do Universo. Assim, não fica muito claro como conseguiríamos chegar ao nosso destino: seria o mesmo que planejar férias em Virgem e acabar na nebulosa do Caranguejo.
Sinto ter que desiludir o turista galáctico do futuro, mas as coisas não são assim: se saltasse dentro de um buraco negro, você ficaria em pedaços e seria esmagado até não restar nenhum sinal. Apesar disso, as partículas que foram seu corpo seriam transportadas, de certo modo, a outro mundo. Não sei se isso serve de consolo a alguém que é convertido em espaguete no interior de um destrutivo turbilhão espacial.

O astronauta reciclado
Uma noite, pouco depois do nascimento de minha filha Lucy, comecei a pensar nos buracos negros enquanto me preparava para deitar. Devido à minha incapacidade física, essa simples rotina cotidiana se convertera num processo bastante lento. Por isso, dispunha de muito tempo. De repente, compreendi que a área do horizonte de eventos (a superfície que delimita o buraco negro) sempre aumenta com o tempo. Estava tão entusiasmado com minha descoberta que quase não dormi naquela noite. O aumento dessa zona fronteiriça indicava que um buraco negro possui uma quantidade chamada entropia, a medida do nível de desordem que contém. E se tem entropia, deve ter também uma temperatura. Bem, se você aquecer um atiçador no fogo, ele vai ficar vermelho e emitir radiação. Mas um buraco negro não irradia absolutamente nada pois nada escapa dele.
A relatividade geral é considerada uma teoria clássica. Pressupõe um caminho único definido para cada partícula. Porém, segundo a outra grande teoria do século XX — a da mecânica quântica —, existe um elemento de probabilidade e incerteza. Durante o tempo que visitei Moscou, em 1973, discuti com Yakov Zeldovich, o pai da bomba de hidrogênio soviética, o efeito da mecânica quântica sobre os buracos negros. Pouco depois, fiz meu achado mais surpreendente. Descobri que as partículas se filtrariam através do horizonte de eventos e escapariam do buraco negro. Primeiro contei isso a Sciama e logo me dei conta de que o segredo não era mais segredo. Roger Penrose me telefonou durante um jantar de aniversário. Estava tão entusiasmado e falou tanto tempo que, quando desligou, minha comida estava completamente fria. Foi uma pena: era ganso, um dos meus pratos favoritos.
Eu ainda não acreditava totalmente. Convenci-me de que os buracos negros emitem radiação quando encontrei o mecanismo que podia fazer isso acontecer. Segundo a mecânica quântica, o espaço está cheio de partículas e antipartículas virtuais que de forma constante se materializam em duplas, se separam, logo voltam a se juntar e se aniquilam. Na presença de um buraco negro, pode ser que uma das partículas desse par caia no seu interior deixando a outra sem companheira para destruir. A partícula abandonada constitui a radiação emitida pelos buracos negros. A mecânica quântica admite que uma partícula escape de uma dessas terríveis gargantas galácticas, coisa que a teoria da relatividade não permitia.
Einstein jamais aceitou a mecânica quântica devido a seu componente de improbabilidade e incerteza. Ele dizia: “Deus não joga dados”. Parece que o gênio alemão estava duplamente equivocado. Os efeitos quânticos dos buracos negros sugerem que Deus não apenas joga dados como às vezes os tira de onde ninguém pode vê-los. Todas essas descobertas nos têm mostrado que o colapso gravitacional não é tão definitivo como pensávamos. Se um astronauta cair em uma garganta galáctica, será devolvido ao resto do Universo em forma de radiação. Nesse sentido pode-se dizer que o astronauta será reciclado.

Cada vez mais sereno
Até 1974 podia comer, sentar e levantar sem ajuda. Jane foi capaz de cuidar de mim e criar dois filhos sem a ajuda de ninguém. Mas as coisas estavam ficando cada vez mais difíceis e decidimos que um de meus estudantes viria morar conosco.

Tempo real e tempo imaginário
Meu interesse pela origem e destino do Universo se reavivou em 1981, quando assisti a uma conferência sobre Cosmologia no Vaticano. Depois, o papa João Paulo II, que ainda estava se recuperando de um atentado contra sua vida, concedeu-nos uma audiência. Ele nos disse que era correto estudar a evolução do Universo depois do Big Bang, porém não devíamos indagar sobre a Grande Explosão em si, pois esse foi o momento da Criação, e portanto, obra de Deus. Alegrei-me por ele não saber o tema de minha conferência: a possibilidade de o espaço-tempo ser finito, mas sem fronteira, o que significaria que não tinha havido um começo. Em meu trabalho As condições de fronteira do Universo, eu sugeria que o espaço e o tempo eram finitos em extensão, porém estavam encerrados em si mesmos, sem limites, da mesma forma que a superfície do planeta Terra é finita ainda que não tenha fronteiras. Em nenhuma das minhas viagens consegui cair da borda do mundo.
Na época da conferência do Vaticano não sabia como utilizar essa idéia para fazer previsões sobre o comportamento do Universo. Entre 1982 e 1983 trabalhei com meu amigo e colega Jim Hartle, da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, e demonstramos como utilizar o conceito da inexistência de fronteiras para calcular o estado do Cosmo em uma teoria quântica da gravidade. Se a proposta da ausência de limites for correta, não haveria nenhuma singularidade e as leis da ciência seriam sempre válidas, inclusive a do começo do Universo. Tinha conseguido realizar minha ambição de descobrir como tudo começou. Ainda assim, continuo sem saber por que o fiz.
Para falar de nossas origens, necessitamos de leis que possam ser válidas em qualquer estado. No tempo real só existem duas possibilidades: que este se prolongue para trás, no passado, para sempre, ou que tenha um princípio. Pode-se então imaginar uma linha que vá do Big Bang ao Big Crunch (o colapso final do Universo). Mas também pode-se considerar outro sentido do tempo, em ângulo reto ao tempo real. É a chamada direção imaginária. Nela não há por que haver singularidade que constitua um começo ou um fim para o Universo. O espaço não seria criado nem destruído. Talvez o tempo imaginário seja o autêntico tempo real e o que chamamos tempo real seja somente um produto de nossa imaginação.

Um lugar para Deus
A maioria das pessoas acredita que Deus permite a evolução do Universo de acordo com um conjunto de leis, sem precisar intervir nele. Mas continuaria sendo assunto divino dar corda ao relógio e escolher o momento de fazê-lo funcionar. Se o Universo teve um começo, podemos supor que teve um criador. Porém, se o Cosmo, com efeito, se contém em si mesmo, há lugar para um sumo Criador? Em certa ocasião, Einstein perguntou: “Que grau de deliberação teve Deus na gênese do Universo?” Se a proposta da ausência de limites estiver correta, ele não teve nenhuma liberdade para escolher as condições iniciais. Só pôde escolher as leis que regeriam sua obra magistral.
De fato, é possível que não tenha havido tal determinação. Na realidade, pode ser que exista somente uma teoria unificada que permita a existência de estruturas tão complicadas como os seres humanos, indivíduos capazes de investigar as leis do Universo e questionar sobre a natureza de Deus.

Minha última assinatura
Em 1979, fui eleito professor de Matemática na mesma cátedra que, um dia, fora ocupada por Isaac Newton. Há um enorme livro que todos os professores da universidade devem assinar. Depois de mais de um ano ali, eles se deram conta de que eu ainda não o havia assinado. Trouxeram-me o livro e assinei com certa dificuldade. Aquela foi a última vez que escrevi meu nome.

Voz da ciência
Antes da intervenção cirúrgica, minha fala havia se tornado ininteligível e poucas pes-soas que me conheciam conseguiam me entender. Ditava meus trabalhos científicos e dava seminários com a ajuda de um intérprete. A traqueotomia me privou totalmente dessa função, tão corriqueira nos outros. Durante algum tempo, a única maneira que eu tinha de me comunicar era soletrando as palavras e levantando as sobrancelhas quando alguém assinalava a letra correta numa cartolina com o alfabeto. Com esse método, era bastante difícil manter uma conversa, quanto mais re-digir um trabalho científico.
Por sorte, um especialista em Informática, da Califórnia, ciente da minha situação, mandou um programa que me permitia selecionar palavras de uma série de menus na tela apertando uma tecla com o dedo. O aparelho também funciona com outro botão acionado por um movimento da cabeça ou dos olhos. Quando tenho frases suficientes posso mandá-las para um sintetizador de voz que, junto com o computador, está acoplado à minha cadeira de rodas. Esse sistema permite que agora eu me comunique muito melhor. Posso construir até quinze palavras por minuto e dizer o que escrevi ou gravar num disco. A voz é muito importante, pois se temos uma fala inexpressiva é muito provável que as pessoas nos tratem como deficiente mental. Meu sintetizador é o melhor de quantos ouvi, pois muda de entonação e não vocaliza como se fosse um robô estúpido. O único problema é que me deu um sotaque americano.

Adeus ao passado
O que aconteceria se o Universo deixasse de se expandir e começasse a se contrair? A seta termodinâmica se inverteria e com o tempo começaria a diminuir a desordem? Veríamos xícaras quebradas se recompondo no chão e saltando de novo sobre a mesa? Recordaría--mos as cotações da manhã e faríamos fortuna na Bolsa? Eu acreditava que o Cosmo teria de voltar a um estado de calma e ordem quando começasse a se contrair. Se fosse assim, durante essa fase as pessoas viveriam suas vidas ao contrário. Morreriam antes de nascer e se tornariam progressivamente mais jovens conforme o firmamento diminuísse. Estava enganado. Eu estava utilizando um modelo de Universo demasiadamente simplificado. O tempo não mudará de direção quando o Universo começar a se contrair. E as pessoas, infelizmente, continuarão a envelhecer como sempre.

O Big Crunch
O Cosmo tem dois possíveis destinos. Pode continuar se expandindo sempre ou contrair-se de novo e terminar com o Big Crunch. Sou defensor da segunda tese. Tenho, sem dúvida, certas vantagens sobre outros profetas do fim do mundo. Aconteça o que acontecer, é pouco provável que dentro de mil milhões de anos eu esteja aqui para me dizerem que estava enganado.

A borda da morte
Voltava para casa, na noite de 5 de março de 1991. Estava escuro e chovia. A cadeira de rodas tinha luzes de bicicleta dianteiras e traseiras. Ao atravessar uma avenida, vi uns faróis que se aproximavam, mas julguei que poderia cruzar a rua com segurança. No entanto, o veículo andava mais rápido do que eu pensava. Quando me encontrava no meio da avenida, a enfermeira gritou: “Cuidado!” Ouvi o chiado das rodas e o carro chocou com a parte traseira de minha cadeira. Sofri um tremendo golpe. Terminei caído no asfalto e gravemente ferido.

Conheceremos o Criador
Se chegarmos a descobrir uma teoria completa, com o tempo esta deveria ser compreensível para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então, todo o mundo poderia discutir sobre a existência do ser humano e do Universo. No caso de encontrarmos a resposta a esta questão, alcançaríamos o triunfo final da razão humana, porque nesse momento conheceríamos a mente de Deus. Teríamos tornado realidade todos os nossos sonhos.

Para saber mais:
Big bang, o universo começou com uma grande explosão (SUPER número 2, ano 1)
Questão de tempo (SUPER número 5, ano 2)
Nos confins do tempo (SUPER número 11, ano 2)
Nas curvas do espaço-tempo (SUPER número 5, ano 3)
Viagem no tempo (SUPER número 11, ano 6)
Túnel do tempo (SUPER número 9, ano 10)

O dicionário do senhor Hawking
Antipartícula: cada partícula elementar tem uma antipartícula do mesmo tipo. Quando uma se encontra com a outra, elas se aniquilam mutuamente, deixando apenas energia.
Big Bang: a singularidade do começo do Universo, quando tudo estava concentrado num unico ponto de densidade e temperatura infinitas.
Big Crunch: singularidade que se produzirá no final do Universo, caso ele entre em colapso até tornar-se um único ponto de densidade e temperatura infinitas.
Buraco negro: região do espaço-tempo da qual nada pode sair devido à sua força gravitacional muito concentrada. Nem sequer a luz é suficientemente veloz para escapar: portanto, a zona não emite radiação e parece negra. Porém, o princípio de incerteza da mecânica quântica admite que partículas e radiação se filtrem para fora.
Espaço-tempo: descrição quadridimensional do Universo, segundo a teoria da relatividade, unindo as três dimensões do espaço e a única dimensão do tempo.
Horizonte de eventos: fronteira de um buraco negro. Uma vez atravessada, é impossível escapar dele.
Mecânica clássica: sistema de leis no qual cada objeto tem uma posição e uma velocidade determinadas.
Mecânica quântica: sistema de teorias no qual as partículas não têm posições nem velocidades determinadas e se comportam, de certo modo, como ondas.
Princípio de incerteza: supõe que não se pode estabelecer com exatidão a posição e a velocidade de uma partícula; quanto melhor se conhece uma delas, pior se conhece a outra.
Pulsar: estrela de nêutrons em rotação, que emite pulsações de ondas de rádio quando seu campo magnético interage com o campo magnético que a rodeia.
Quasar: segundo se acredita, consiste no núcleo de uma galáxia em cujo centro há um enorme buraco negro rotatório no qual cai continuamente grande quantidade de matéria. Esta alcança uma temperatura muito alta e emite muita energia antes de ser apanhada pelo buraco negro. Os quasares estão muito longe, mas podem ser observados devido à sua alta potência.
Radiação de Hawking: partículas elementares e radiação emitidas pelo horizonte de eventos dos buracos negros. Quanto menor é o buraco, maior é a quantidade de radiação de Hawking, chegando a uma grande explosão quando, finalmente, o buraco se evapora e desaparece.
Relatividade geral: a segunda teoria da relatividade de Einstein (1916), estabelece que a gravitação é o resultado de distorções na geometria do espaço-tempo (isto é, uma geometria que não considera só a distância entre pontos no espaço, mas também a distância entre pontos no tempo) e estabelece que os campos gravitacionais interferem nas medidas de um e outro.
Segunda lei da termodinâmica: estabelece que a quantidade de desordem do Universo, ou entropia, aumenta com o tempo. Diferencia-se das outras leis porque nem sempre é certa — existe minúscula possibilidade de a desordem não aumentar, num certo sistema. Também depende de o Universo ter começado num estado caótico.
Singularidade: ponto no qual o espaço-tempo se curva infinitamente e chega a um fim. A teoria clássica da relatividade geral prevê que este fenômeno ocorre, porém não pode descrever como se comporta, porque ao chegar a este ponto suas leis já não funcionam.
Teoria da ausência de limites: propõe que o espaço e o tempo imaginário formam juntos uma superfície finita em extensão, ainda que sem fronteiras nem bordas. Nessa teoria, o espaço-tempo seria como a superfície da Terra, porém, com duas dimensões a mais.

O filme de uma vida
Longe de conformar-se em ser um dos cientistas vivos mais admirados pelo grande público, Stephen Hawking decidiu passar para um campo mais popular: o cinema. Por isso, mergulhou na tarefa de modelar em celulóide o autêntico filme de sua vida. Passo a passo com o diretor Errol Morris, o próprio físico supervisionou a filmagem do documentário Uma breve história do tempo, baseado em sua biografia.
Numa espécie de “esta é a sua vida”, Morris recolheu testemunhos dos personagens que mais influenciaram a carreira do cientista. Os parentes, os colaboradores e alunos mais próximos, incluídos alguns dos pesquisadores mais importantes do mundo, concordaram em colocar-se diante da câmera para mostrar o mundo particular e cotidiano do privilegiado Hawking. O resultado de três anos de trabalho duro e centenas de horas de filmagens são os noventa minutos de entrevistas pessoais que es-tão sendo exibidos nos cinemas de uma parte da Europa.

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UM MOL DE ABRAÇOS A TODOS VOCÊS!!!!
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Ciência na fronteira

Projeto de lei promete facilitar a importação de material de pesquisa e aumentar a competitividade da ciência feita no Brasil. Cientistas apoiam a iniciativa, mas sugerem outras modificações para diminuir a burocracia.

Publicado em 21/01/2013 | Atualizado em 21/01/2013
Ciência na fronteira
O deputado Romário é o autor do projeto de lei sobre importação de material para pesquisa científica e tecnológica. (foto: Alexandra Martins/Agência Câmara)

Quem poderia imaginar que um dia o nome de um ídolo do futebol estaria ligado a questões da ciência? O deputado federal Romário, ex-camisa 11 da seleção, tem demonstrado que se importa mais com o assunto que muitos políticos que não têm nem a fama esportiva a seu favor. O parlamentar é autor de um projeto de lei que pretende facilitar as importações de material de pesquisa. A proposta vem sendo bem vista pela comunidade científica, que acredita, porém, que ela ainda pode ser melhorada.
Não é novidade entre os cientistas a insatisfação com os processos burocráticos para adquirir equipamentos e substâncias estrangeiras usadas na pesquisa. Inspirado pela antiga reivindicação de mais agilidade e simplicidade, o projeto de Romário, prevê a criação de um cadastro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com os pesquisadores brasileiros que importam material científico.
Os cientistas cadastrados teriam liberação imediata do material de pesquisa na alfândega pela Receita Federal e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem precisar pagar taxas para isso. O projeto prevê ainda a responsabilização do cientista caso ele use o material importando para outra finalidade, que não a declarada. 
Os cientistas teriam liberação imediata do material de pesquisa na alfândega sem precisar pagar taxas para isso
Para a geneticista da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zatz – que inspirou a criação do projeto ao encaminhar para Romário um documento relatando as dificuldades dos pesquisadores –, a lei vai trazer grandes benefícios se aprovada. Zatz diz já ter sofrido na pele diversas vezes com a burocracia da importação de material.
“Uma vez importei um kit para estudar genes de câncer e a alfândega daqui não liberava o material de jeito nenhum”, conta. “Na época, o governador de São Paulo era o Covas e eu disse a eles que aquela encomenda era de muito interesse do governador, pois poderia ajudar na sua doença. No dia seguinte, o pessoal liberou o ‘remédio do Covas’. De material de pesquisa virou ‘remédio do Covas’.”
A bioquímica Vilma Martins, do centro de pesquisa do Hospital AC Camargo, em São Paulo, destaca que a demora e os entraves na importação tornam injusta a competição da ciência nacional com a feita fora daqui. 
“De nada adiantam bons financiamentos se a pesquisa fica presa nas importações”, diz. “A ciência é competitiva e quando temos novas ideias ficamos limitados a esperar por três meses os reagentes necessários. Qualquer cientista nos Estados Unidos recebe reagentes no dia seguinte ao seu pedido.”
Martins e Zatz não são exceções. Segundo um levantamento feito pelo biólogo Stevens Rehen em 2010, 76% dos pesquisadores do país já perderam material científico nas alfândegas e 99% resolveram mudar os rumos das pesquisas por causa das dificuldades para importar as mercadorias.


Ajustes e propostas

O PL de Romário não é a única iniciativa recente para facilitar a importação de material científico. Em março de 2011, foi lançado o CNPq Expresso também para agilizar a retirada da carga importada. 
O pesquisador que optar pelo novo sistema recebe tratamento diferenciado por parte da Anvisa e da Receita Federal na hora de pegar a sua encomenda na alfândega. Ele deve avisar com antecedência a data de chegada da sua carga e enviar toda a documentação de importação preenchida. Assim, o material recebe uma etiqueta indicando que deve ser liberado com mais rapidez. Por enquanto, o sistema está ativo em apenas 11 aeroportos do Sul, Sudeste e Nordeste do país e não serve para material perecível.
CNPq Expresso
Assim como o PL de Romário, o CNPq Expresso pretende facilitar a retirada de material de pesquisa na alfândega. (montagem: Sofia Moutinho)
“Esse é um dos grandes gargalos que temos em ciência no Brasil”, comenta o patologista Fernando Soares, coordenador do Centro Antonio Prudente para Pesquisa e Tratamento do Câncer. “Muitas vezes quando submetemos um artigo para uma revista, eles nos pedem mais experimentos e dão um prazo para isso. Atualmente, tenho um artigo esperando um anticorpo para ser aceito. Isto faz cinco meses! É lógico que o trabalho já perdeu muito da sua relevância. O problema não é dos sistemas das agências de fomento, e sim da burocracia brasileira.”
Zatz concorda e acredita que o PL merece alguns ajustes. Uma das propostas da geneticista é que os pesquisadores possam importar materiais pequenos, como reagentes, diretamente dos fornecedores.
Zatz: “O ideal seria que a importação fosse tão fácil quanto comprar um livro na internet”
Para isso, ela sugere a criação de um cartão de crédito nominal ao cientista com o mesmo limite aprovado pelas agências de fomento para a pesquisa, além de um catálogo de substâncias aprovadas pela Anvisa ligado ao cadastro nacional de pesquisadores. Bastaria que o cientista pedisse o material para o vendedor e, sem precisar preencher formulários, teria sua carga enviada e recebida sem barreiras aqui no Brasil.
“O ideal seria que a importação fosse tão fácil quanto comprar um livro na internet”, diz Zatz. “É uma questão apenas de vontade política.”
O PL de Romário foi discutido em uma audiência pública realizada em dezembro. Depois do recesso parlamentar, a relatora Mara Gabrilli vai reescrever o texto, que deve ser encaminhado para análise pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Finanças e Tributação e de Constituição, Justiça e Cidadania. Se aprovado, o texto seguirá para a apreciação do Senado.
Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line
Este texto foi atualizado para incluir a seguinte alteração:
O deputado Romário era o camisa 11 da seleção, e não 9, como havíamos informado anteriormente. (21/01/2013)
FONTE ORIGINAL:

Valeu pela dica, Professor Adriano Fonseca.

Um mol de abraços a todos!!

8 substâncias da ficção que facilitariam nossa vida


Olá QUIMILOKOS de plantão!
=]
Hoje trago a vocês uma reportagem super interessante [do jeitinho que eu gosto!!!] da Revista Super Interessante! hehehee!!
Trata-se da coletânea de 8 substâncias do mundo fictício que seriam "uma mão na roda" para nós, no mundo real! [é claro que tudo tem suas implicações entre o bem e o mal..portanto, seriam "uma mão na roda" se utilizadas para fins corretos, ok?! E, é claro tmbém que aqui não estão todas as invenções da ficção, como eu disse no início é uma coletânea contendo 8 destas invenções, eu mesma senti falta da Criptonita, do Superman (apesar de já ter visto publicações sérias de sua existência real - óóóbvio que não com as atribuições dadas no gibi nem no cinema, mas SIM, ela existe!), senti falta também do Unobtênio, um metal usado em "O Núcleo - missão ao centro da Terra", para revestir a nave que os levará ao centro da Terra, e capaz de suportar altas temperaturas; e tantos [as] outros [as], não é mesmo?! Após ler a reportagem, me diga: Alguma outra substância fictícia que você se lembra e não está aqui?! Se sim, qual, onde aparece, e em que é utilizada?!
BOA LEITURA:
"Quando escritores decidem criar mundos e universos fictícios, eles pensam em personagens, países, planetas, continentes, culturas, línguas e por aí vai. Alguns vão além e também inventam elementos, minérios e outras substâncias que costumam ter um papel fundamental nas tramas. George R. R. Martin fez isso, assim como Tolkien, James Cameron, Gendy Tartakovsky e outros autores bem conhecidos dos fãs da cultura pop.
Como a maior parte dessas criações tem propriedades incríveis, é fácil ficar imaginando como seria a vida caso elas realmente existissem. Por isso, a SUPER separou algumas das mais cobiçadas substâncias fictícias e pensou como elas poderiam ser aplicadas a nossa realidade.
1. Aço Valiriano
O que é: um aço mágico. E isso porque, durante sua fabricação, são utilizados encantos. É usado em espadas por formar as lâminas mais finas, resistentes e afiadas do mundo.
Onde apareceu: nos livros de “As Crônicas de Gelo e Fogo” e na série “Game of Thrones”, as espadas de aço valiriano são relíquias que passam de pai para filho em vários clãs de Westeros. A “receita” para forjar a liga foi perdida há muito, por isso só as peças trazidas pelos Targaryen ainda existem.
Por que seria útil: lâminas e agulhas mais afiadas e finas poderiam ser aproveitadas na medicina, na culinária, na costura, no artesanato etc. Basicamente, o aço valiriano seria útil em quase todos os setores da indústria.
2. Vibranium
O que é: um metal que, diferente de todos os outros, absorve energia em vez de conduzir.
Onde apareceu: ficou famoso por ser um dos componentes do escudo do Capitão América, junto de ferro e de um elemento desconhecido. No universo da Marvel, é possível encontrar grandes reservas de vibranium no fictício país africano Wakanda, terra-natal do Pantera Negra.
Por que seria útil: um metal que absorve impactos e energia seria ideal para armaduras e carrocerias de carros, por exemplo. Um outro uso seria na construção civil: imagine estruturas que não sucumbem a terremotos.
3. Adamantium
O que é: a liga metálica mais resistente do mundo e que, uma vez resfriada, não pode ser fundida ou moldada. Existem vários tipos de adamantium, mas o original é formado por vibranium e aço.
Onde apareceu: quando o Dr. Myron McLain tentou recriar a liga metálica utilizada no escudo do Capitão América, acabou criando o adamantium, que ficou conhecido por revestir o esqueleto do Wolverine, além de suas garras. O Capitão também chegou a usar escudos feitos com essa liga, mas eles não agradaram.
Por que seria útil: um metal indestrutível é provavelmente uma das coisas mais cobiçadas da metalúrgia. Sua aplicação seria muito ampla. Poderia ser usado, por exemplo, na construção civil e nas indústrias aeronáutica, automobilística e naval. Imagina se o Titanic fosse de adamantium?
4. Elemento X
O que é: um produto químico misterioso, normalmente visto em forma líquida, que confere super-poderes a todos os seres vivos.
Onde apareceu: no desenho animado “As Meninas Superpoderosas”, o elemento X caiu por acidente na mistura do Professor Utônio. Junto de açúcar, tempero e tudo que há de bom, o ingrediente resultou em Lindinha, Docinho e Florzinha. Ele também é o responsável pela genialidade maligna do Macaco Louco.
Por que seria útil: um elemento que pode fazer pessoas voarem seria uma boa saída para solucionar o problema do tráfego. A super-força reduziria a necessidade de equipamentos na indústria pesada. Enfim, super-poderes são sempre bem-vindos.
5. Dilithium
O que é: um mineral cristalino que, submetido a campos magnéticos de alta frequência, regula as reações entre matéria e antimatéria. Essas reações produzem energia que e é utilizada em naves para ultrapassar a velocidade da luz.
Onde apareceu: em “Star Trek”, o dilithium está presente em naves espaciais, inclusive na Enterprise. A princípio, o mineral só poderia ser encontrado na natureza, mas na série “Jornada nas Estrelas: a Nova Geração”, já é possível sintetizar dilithium artificial. No entanto, a versão de laboratório é bem menos resistente. Existe um composto real chamado dilítio, mas os criadores da série não faziam ideia.
Por que seria útil: embora viajar além da velocidade da luz seja teoricamente impossível, o dilithium poderia ser usado na propulsão de naves mais modestas. A ideia é tão boa que cientistas já estão testando um composto de lítio que funciona igual ao mineral fictício.
6. Mithril
O que é: um metal extremamente valioso, mais resistente que o aço, mais leve que o alumínio e que nunca oxida.
Onde apareceu: o mithril aparece na trilogia “O Senhor dos Anéis” e  em “O Hobbit”, sendo um dos principais minérios explorados pelos anões. É utilizado na confecção de joias, armas e equipamentos na Terra Média, por ser muito resistente e leve. Frodo recebe uma malha feita de mithril  de seu tio Bilbo, que a havia encontrado na caverna do dragão Smaug.
Por que seria útil: um metal que é super resistente e leve seria bem-vindo na metalurgia e na indústria em geral. Também seria uma boa saída para equipamentos de proteção, como coletes à prova de balas.
7. Carbonita
O que é: uma liga metálica que usa carbono na sua composição e pode ser resfriada a baixíssimas temperaturas.
Onde apareceu: a carbonita é usada pelos capangas de Jabba, o Hutt, para congelar Han Solo em “Star Wars: O Império Contra-Ataca”. Quando Han foi congelado em carbonita, a ideia era testar se um humano sobreviveria ao processo. O piloto serviu de cobaia porque Darth Vader planejava congelar Luke Skywalker.
Por que seria útil: como Han sobreviveu ao congelamento sem nenhum dano, é fácil imaginar as aplicações da carbonita na medicina. Médicos poderiam congelar pacientes por anos até que descubram a cura de sua doença, por exemplo.
8. Unobtainium
O que é: um minério, que, em temperatura ambiente, se comporta como supercondutor e apresenta um magnetismo peculiar.
Onde apareceu: no filme “Avatar”, de James Cameron, o unobtainium é a solução para a crise energética na Terra, além de ser usado nos propulsores das naves espaciais (mais ou menos como o dilítio). A maior jazida do minério se encontra na lua de Pandora, onde vivem os Na’vi.
Por que seria útil: um supercondutor tem perda mínima de energia, o que seria ideal para conduzir eletricidade por grandes distâncias com menos prejuízo. Nesse ponto, o filme de Cameron é bem realista."

FONTE:

Obrigada, Professor Haroldo, pela dica!
=]

Um mol de abraços a todos!!
[aguardo as respostas nos comentários!!]

Um Estudo sobre Dr. House e Sherlock Holmes




Oi ois!
Bem, como fiquei devendo da última vez, aqui ai um pequeno paralelo entre Sherlock Holmes e Dr. House!
DIVIRTAM-SE!!


"Sherlock Holmes é um detetive criado por Arthur Conan Doyle, morador da Londres da era vitoriana (Fim do século XIX) e que apareceu pela primeira vez no romance Um Estudo em Vermelho (A Study in Scarlet), publicado no Beeton’s Christmas Annual em 1887, fazendo um certo sucesso. Sua aventura posterior, o também romance O Signo dos Quatro, (originalmente The Sign of Six, e mudado a pedido da editora para The Sign of Four) foi quem alavancou o personagem de Doyle, de modo que esse conseguiu um contrato com o periódico londrino The Strand Magazine. A pedido do periódico, o ilustrador Sidney Paget criou a célebre imagem do detetive de lupa na mão, cachimbo à boca e com chápeu de orelha ao contrário (Embora o chapéu citado só apareça em dois dos vários contos de Holmes). O formato de publicação das histórias na Strand Magazine era o de conto, quase todos narrados pelo seu maior amigo, Dr. Watson, e sua primeira publicação foi O Escândalo na Boemia, em 1891, no qual Holmes ajuda o rei de uma região alemã a tentar reaver uma foto. Com as publicações de Sherlock Holmes, a Strand Magazine se tornou um fenômeno, e Holmes se tornou maior que seu criador.
Mas agora vamos falar do personagem em si. Sherlock Holmes reside na Baker Street, em Londres, no nº 221B. Durante um tempo, morou com o Dr. John H. Watson, até este se casar e só visitar o amigo ocasionalmente, ou quando um caso interessante está na pauta. Os casos estudados por Holmes vão desde investigações a pedido da alta nobreza, assassinatos, roubos e em grande parte das vezes, casos modestos para livrar algum pobre homem de um destino indigno. As técnicas nas quais Holmes se baseia são a dedução lógica e observação, mas claro, tudo isso somada a perícias em química, geologia e etc.
Holmes de Sidney Paget.
Embora Holmes não tenha sido o pioneiro nos detetives “dedutivos observativos” (Edgar Allan Poe já havia criado o investigador frânces Auguste Dupin e Charles Dickens criou o inspetor Bucket, por exemplo), certamente foi expoente do gênero, já que suas histórias se concentravam em focar as técnicas dedutivas aplicadas por Holmes no primeiro plano, ao contrário de outras histórias que se focavam na ação.
Sobre o Dr. House, o método que ele usa para chegar aos seus diagnósticos são a dedução lógica e a observação extrema, tal como uma imaginação fora de série. Aliás, todos os personagens que usam essas técnicas são derivados de Holmes. (Patrick Jane, do The Mentalist
, Monk, etc.)
Mas e aí? Qual a relação entre os dois personagens? Dr. House é uma recriação do próprio Sherlock Holmes, mas direcionado ao campo da medicina. A ele foram atribuídas algumas características peculiares, como uma personalidade sarcástica, persuasiva, narcisista e egocêntrica. Tô mentindo? Em que lugar do mundo você já imaginou que, para um médico, é mais importante se gabar de um diagnóstico correto do que salvar a vida do paciente? É isso que o House faz, ele salva vidas para alimentar o seu ego, ele não está nem aí para a vida dos pacientes. Continuemos.
Se o paciente morrer, ele não pode dizer “Soufoda!”
Será que alguém além de mim consegue enxergar uma semelhança no nome dos dois personagens? Tipo, Gregory parece com Sherlock, e House lembra Home, que lembra Holmes?
Vamos mais adiante. Qual o nome do melhor amigo de House? James Wilson. E do Sherlock? John Watson. Também não viram semelhança? Sherlock Holmes é viciado em cocaína, House em Vicodin (Poderoso anestésico). O apartamento dos dois é o nº 221B. O inimigo dos dois tem o mesmo sobrenome, Moriarty.
Mas também podemos conjecturar algumas diferenças drásticas entre os personagens. Holmes, por diversas vezes, abre mão de dinheiro para que um caso seja solucionado apenas para se fazer justiça. Holmes também não posa de tanta arrogância. 
Bom, depois de ler tudo isso, o melhor que todos nós temos a  fazer é: ou ler as histórias do maior detetive do mundo, ou então, assistir as proezas do médico mais "mala" do mundo."

A Ciência de Sherlock Holmes

Olá a todos!!
A postagem de hoje vai pra os amantes de um bom e clássico mistério!
É sobre Sherlock Holmes, o detetive que usava a QUÍMICA para desvendar crimes misteriosos! Trata-se de um artigo d New Scientist, que copiarei na íntegra, ok?!
Vale a pena ser conferido!!
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(Image: Everett Collection/Rex)
"The ace detective continues to enthrall us, as two new books, The Scientific Sherlock Holmes by James O'Brien and Mastermind by Maria Konnikova, show
THE death of Sherlock Holmes, as related in the December 1893 issue of The Strand Magazine, was met with sadness and fury. Fans wore black armbands to mourn their favourite detective, thrown from a cliff in mortal combat. They also sent scathing letters to Arthur Conan Doyle, who had written off Holmes to concentrate on more "serious" fiction.
A decade of literary failure persuaded the author to admit his error, averring that Holmes had actually survived. He would appear in 33 more stories by the time Conan Doyle died in 1930, but even that misfortune didn't mean the end for Holmes. Most recently he has been the subject of two TV series set in the present day: Sherlock, from the BBC, and Elementary, produced by CBS.
Two new books also capitalise on his undying fame, and suggest reasons for his appeal across genres and generations. In The Scientific Sherlock Holmes, chemist James O'Brien presents him as a pioneering forensic scientist. In Mastermind, psychologist Maria Konnikova poses him as a master of mindfulness. While each book has serious flaws, together they offer some valuable insights into the Sherlock Holmes phenomenon, and how it relates to the rise of popular science.
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In Conan Doyle's opinion, science was what set Holmes apart from other fictional detectives, who typically solved crimes by chance. The author, who had trained as a physician, boasted of giving Holmes "an immense fund of exact knowledge". The majority of O'Brien's book is an assessment of whether this knowledge really was immense and exact, and how much of it is still accurate.
Holmes fares better here than in past appraisals, notably Isaac Asimov's 1980 claim that he was a "blundering chemist". O'Brien shows that he had a surprisingly advanced understanding of certain chemicals, such as barium bisulphate, which many turn-of-the-century chemists didn't believe existed, and that his famous test for blood, by detecting haemoglobin, was perfectly viable.
He also shows that Holmes was on the cutting edge of forensic techniques, from fingerprinting to tracking criminals with dogs. The first Holmes story involving fingerprints dates to 1903, two years before they were first successfully used by the police. His first story to employ a tracking dog dates to 1890, 13 years before they became popular with real-life investigators.
All of this would be little more than literary trivia were it not for another observation made by O'Brien. Conan Doyle's interest in science waned with age, as he embraced spiritualism. While he never imposed these beliefs on Holmes, the later stories contain far less science than the earlier ones. O'Brien finds that 60 per cent of the forensic science takes place in the first half of the Holmes canon, and that every story in which he performs chemical experiments predates 1904. He overlays this with reader polls that have overwhelmingly favoured the earlier stories, and concludes that the correlation between scientific content and reader interest is "surely no coincidence".
Though his certainty seems overstated, O'Brien is persuasive when he says that science gives the stories a sense of plausibility and an authenticity that prior detective fiction lacked. Conan Doyle's fiction appropriates the authority of Victorian science; Holmes's forensic investigations allow readers to vicariously experience his scientific achievements in a setting more thrilling than a university laboratory. He is the Ernest Rutherford of crime, pursuing murderers instead of protons.
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Of course forensic techniques are only part of the equation. Holmes applies the scientific method to everything he encounters, surmising where people have been and what they have done by logical deduction. His astonishing insights, and how he achieves them, are the subject of Mastermind.
"I consider that a man's brain originally is like a little empty attic," Holmes tells Watson in the very first story, "and you have to stock it with such furniture as you choose." This quaint analogy "may not be far from the truth", Konnikova says. By her 21st-century interpretation, the hippocampus is the entryway, where information is initially placed, and long-term storage is achieved by the process of consolidation. Part of what makes Holmes so good at what he does is that he is scrupulous about what he lets into his attic and how he organises it. His talent for deduction derives from keen observation combined with a memory primed to associate fresh input with prior knowledge.
Half of Konnikova's task is to describe his thought processes in terms of present-day psychology. The other half is a primer on how to employ Holmes's techniques yourself. To attain his power of observation, for instance, requires the sort of focus you can practise through meditation. To reason as effectively as he does requires that you be aware of your biases.
If all of this sounds vague, it's because Konnikova is seldom specific. Whereas O'Brien tends to get lost in details and to run off on tangents, Konnikova offers only the quickest gloss on complex issues in neuroscience, and dishes out advice that hardly depends on psychology or Holmes. She does make an interesting point when she claims that Holmes is perennially popular because "he makes the most rigorous approach to scientific thinking seem attainable". The very existence of her book shows his appeal as a self-help guru. But surely he also engages us as a man in need of help himself.
That's the line taken in both recent TV programmes. CBS presents Holmes as a recovering drug addict; the BBC as an autistic savant. While each show departs significantly from Conan Doyle's Victorian milieu, they are true to Holmes's "dual nature" (as Watson dubs it): the hyperintelligence and morphine dependence that together make for such a vivid character.
Sherlock Holmes is a work in progress. We may be fascinated by the forensics and impressed with his deductive reasoning, but it's the detective's vulnerability that moves each generation to cast him in their own image.
Jonathon Keats's new book Forged: Why fakes are the great art of our age will be released this month "
.
Agora, indo um pouco mais além, para quem realmente gosta, já parou para pensar o quanto Holmes se parece com Dr. House?!
hehehe!
Isso mesmo! Sherlock Holmes serviu de inspiração para a criação de House!
Basta observar as semelhanças!!
Mas isto é assunto para uma outra postagem!
Até breve!

Um mol de abraços a todos!

2013: Ano Internacional da Cooperação da Água


A ONU declarou 2013 como o Ano Internacional da Cooperação da Água. As Nações Unidas esperam, através de esforços de cooperação entre Estados e organizações, melhorar significativamente as condições de vida de uma larga franja da população mundial que não tem acesso à água potável e/ou ao saneamento básico.

Cerca de 70% do nosso planeta é constituído por água. No entanto, apenas cerca de 3% é água doce, e destes, dois terços encontram-se retidos nos glaciares, restando apenas 1% de água disponível para utilização humana.

Estes 1% de água doce disponível, a que correspondem cerca de 13 600 000 km3, seriam, de acordo com a Organização das Nações Unidas, mais do que suficientes para suprir às necessidades de toda a população mundial, não fossem as más práticas que conduzem a um elevado desperdício e à poluição deste recurso em todo o mundo.

Assim, uma grande parte da água doce disponível não pode ser utilizada porque se encontra demasiado degradada e é inadequada para as utilizações pretendidas, nomeadamente o abastecimento para consumo humano. A água torna-se pois um recurso escasso, apesar de ser um bem comum.

Em Julho de 2010, a Organização das Nações Unidas declarou o acesso à água potável e ao saneamento básico um direito humano essencial. Actualmente, e em todo o mundo, cerca de 900 milhões de pessoas não tem acesso a água de qualidade e cerca de 2,6 milhões de pessoas não têm saneamento básico. Todos os anos, morrem 1,5 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade, devido a doenças relacionadas com a falta de água potável e de saneamento. Estima-se que 80% das doenças humanas estejam relacionadas com a utilização da água não tratada, com o saneamento precário e com a falta de cuidados básicos de higiene. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que as doenças transmitidas dessa forma provocam pelo menos 25 milhões de mortes por ano nos países em desenvolvimento, gerando custos altíssimos para a vida humana.

A Resolução das Nações Unidas apela a que as nações se empenhem na melhoria da situação actual e que as cooperações internacionais sejam reforçadas para que se cumpram os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio na data acordada de 2015* .

Na sequência desta resolução, e para chamar a atenção da sociedade civil, empresas e governos para este facto, no sentido de tentar melhorar os índices de acesso à água potável e ao saneamento básico em todo o mundo, a ONU declarou, em Dezembro de 2010, o ano de 2013 como o Ano Internacional da Cooperação da Água. O dia 22 de Março de 2013, normalmente celebrado como o Dia Mundial da Água, será também este ano dedicado à cooperação da água.

Dado o carácter universal e transversal da água, que interliga aspectos naturais, ambientais, científicos, educacionais e culturais, as Nações Unidas delegaram na UNESCO a organização do Ano internacional da Cooperação da Água. O principal objectivo deste Ano Internacional é assim alertar para as questões relacionadas com a água, ao nível quer das potencialidades para a cooperação entre nações e organizações, quer dos desafios que se colocam à gestão dos recursos hídricos, tendo em conta o aumento da procura e as crescentes necessidades de acesso e disponibilização do recurso água.

Este Ano Internacional incidirá sobre casos de iniciativas bem sucedidas de cooperação da água, bem como sobre os temas mais prementes relacionados com a educação, a diplomacia, a gestão transfronteiriça dos recursos hídricos, a cooperação financeira, os enquadramentos legais nacionais e internacionais e as ligações com os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Pretende-se também que sejam capitalizados os desenvolvimentos conseguidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), no sentido de serem formulados novos objectivos que possam contribuir para o um desenvolvimento verdadeiramente sustentável dos recursos hídricos (UN-Water, 2011).

Durante 12 meses, a UNESCO irá promover eventos e debates que ajudem a procurar soluções para combater alguns dos mais graves problemas da Humanidade, nomeadamente a ausência de água potável para cerca de 11% da população mundial, a falta de saneamento para cerca de um terço da população mundial e a morte de cerca de 5 mil crianças todos os dias devido a doenças provocadas pela falta de acesso a água de qualidade.

* "Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio são oito objectivos específicos, estabelecidos oficialmente durante a Cimeira do Milénio das Nações Unidas, em 2000, visando o combate à pobreza e a procura do desenvolvimento sustentável. Foram subscritos por todas as 193 nações que integravam a ONU à data e por mais de 23 organizações internacionais, que se comprometeram a atingi-los no ano de 2015. Os oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio são: (1) Erradicar a pobreza extrema e a fome; (2) Alcançar o ensino primário universal; (3) Promover a igualdade de género e a autonomização da mulher; (4) Reduzir a mortalidade de crianças; (5) Melhorar a saúde maternal; (6) Combater o VIH/SIDA, a malaria e outras doenças; (7) Garantir a sustentabilidade ambiental; e (8) Criar uma parceria global para o desenvolvimento."

Mais informação em: http://www.un.org/millenniumgoals/

O desafio da água na União Europeia e em Portugal

Mas se estas questões assumem um carácter de maior urgência nos países em desenvolvimento, os países desenvolvidos enfrentam também enormes desafios na gestão dos recursos hídricos. Um relatório da European Environment Agency (EEA), publicado em Novembro, informa que mais de metade das massas de água na União Europeia se encontram em mau estado e dificilmente atingirão o bom estado ecológico em 2015, conforme as metas estabelecidas pela Directiva Quadro da Água (DQA).

Grande parte da poluição verificada nas massas de água, não apenas superficiais, mas também de origem subterrânea, devem-se a fertilizantes e outros poluentes oriundos da actividade agrícola. A agricultura é também a actividade com maior intensidade hídrica, com cerca de 50 a 60 % do consumo total de água, quantidade essa que atinge os 80% nos países do Sul da Europa, e nomeadamente em Portugal e Espanha.

As alterações climáticas contribuirão também para o aumento da pressão sobre os recursos hídricos na União Europeia, onde é esperada nas próximas décadas uma redução das disponibilidades hídricas para os vários usos. A gestão transfronteiriça dos recursos hídricos partilhados assume aqui uma especial relevância e sensibilidade.

Portugal, sendo um país da bacia do Mediterrâneo, encontra-se numa situação particularmente vulnerável a fenómenos extremos decorrentes das alterações climáticas, nomeadamente secas, como a que ocorreu no último ano hidrológico.

O último Relatório do Estado do Ambiente reporta que um terço das massas de água apresenta má ou muito má qualidade. A conjuntura económica actual e os fortes constrangimentos financeiros que o país atravessa neste momento tornam os desafios ainda mais difíceis.

Os Planos de Gestão de Região Hidrográfica (PGRH), embora muito atrasados face ao disposto na DQA, podem e devem ser uma oportunidade para que se estabeleçam prioridades realistas e se implementem medidas de protecção dos recursos hídricos. O estabelecimento de uma gestão conjunta com Espanha para as bacias hidrográficas partilhadas na próxima geração de PGRH, já em 2015, será absolutamente essencial. E espera-se ainda que, em 2013, o Plano Nacional da Água assuma finalmente o seu papel orientador e enquadrador da política da água em Portugal.

O envolvimento activo de todos os agentes da sociedade civil é necessário no sentido de se conseguir uma política da água verdadeiramente coerente e articulada, que promova a utilização racional do recurso água, não apenas para o presente, mas principalmente para os anos vindouros. O futuro dependerá muito da forma como aprendermos a valorizar e a proteger verdadeiramente o bem precioso à vida humana e a toda a vida no Planeta Terra que é a Água.

FONTE: http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=18803

Semana de Integração da Uni-ANHANGUERA - 2012

Olá pessoas!!
Esta publicação de hoje é para lembrar meus alunos da Uni-ANHANGUERA sobre a nossa Semana de Integração!
"Os eventos são voltados para alunos dos cursos de Engenharia da Computação, Agronomia, Ciências Biológicas e Química.
Palestras, oficinas e minicursos vão movimentar alunos dos cursos de Engenharia da Computação, Agronomia, Ciências Biológicas e Química do Centro Universitário de Goiás - Uni-Anhanguera nos dias 6, 7 e 8 de novembro, durante a 2ª Semana de Integração do Núcleo de Ciências Exatas, Biológicas e da Saúde e 7ª Semana dos Cursos de Informática. As inscrições poderão ser realizadas até o dia 31, na Tesouraria da instituição."
Para realizar sua inscrição, siga as orientações no site da Uni-ANHANGUERA.
E, não se esqueçam:
O último dia para inscrição é HOJE!!

Um mol de abraços a todos!

ENEM 2013 - dica light

Olá pessoas queridas!!
A prova do ENEM se aproxima!
Fica aí uma dica aos meus alunos do CPMG - Ayrton Senna e do Colégio Estadual Jardim América, que acabei de ler no ESTADÃO.EDU, sobre alguns filmes [e quem é meu aluno sabe o quanto isso faz parte das minhas aulas!!Rsss!] que podem auxiliar nestes últimos momentos de revisão para a prova que se aproxima!
Vou anexar a reportagem completa aqui logo abaixo, destacando o filme[desenho] Wall.E, que trabalhamos em sala de aula!![Aaaaaamo quando essas coisas acontecem!Ainda não fui 'promovida a vidente'[kkkkkk], mas pelo jeito, logo logo eu chego lá!].
Segue a reportagem:

"Filmes podem ajudar no preparo para o exame.
Nesses poucos dias que antecedem o Enem, ainda é possível dar uma última revisada no conteúdo, mas filmes podem ajudar.

Nesses poucos dias que antecedem o Enem, ainda é possível dar uma última revisada no conteúdo. Moderação, no entanto, é palavra de ordem. A mente e o corpo precisam estar descansados para encarar a maratona de dez horas de provas - cinco horas por dia.
"O aluno deve se concentrar no básico e jamais tentar correr atrás do conteúdo perdido. Se ele não seguir essa dica, vai se desgastar e não conseguirá se concentrar nos exames", diz Luís Targa, professor das disciplinas de biologia e documentário do Colégio Vértice, do Campo Belo, zona sul. "Para aqueles que não conseguem ou não quererem diminuir o ritmo, filmes e músicas são uma ótima opção para rever parte de conteúdo."
De acordo com Targa, justamente por não terem caráter pedagógico as obras permitem aos estudantes fazer uma reflexão mais aprofundada sobre uma série de temas. "O que só traz pontos positivos quando se trata de uma prova como o Enem."
Em geral, as questões do exame não são conteudistas. Por outro lado, exigem muito dos candidatos a habilidade de interpretar textos. Os enunciados são longos e as provas, recheadas de gráficos para análise.
O professor do Vértice afirma que muitos filmes podem servir como material de estudo. Entre eles, não só os que abordam temas específicos sobre o conteúdo exigido, como O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, que trata do período da ditadura militar no País, ou Arquitetura da Destruição, que traz uma análise sobre o nazismo, mas também aqueles que tratam de assuntos em pauta, como Pro Dia Nascer Feliz ou Quanto Vale ou É por Quilo?, que passeiam por abordagens ligadas ao preconceito e à educação. "Esses filmes podem servir como uma fonte de argumentos para que os alunos trabalhem com a questão das cotas, tanto as raciais quanto as sociais", diz Targa.
Renan Garcia Miranda, professor do Anglo, diz que os estudantes podem simplesmente rever os filmes que gostam ou ouvir novamente suas músicas preferidas, desde que o faça com uma abordagem diferente. "Os alunos já têm um repertório cultural", afirma. "Talvez seja muito mais prazeroso para eles buscar novas camadas de leitura e interpretação daquilo que já conhecem. Esse processo sempre lhe trará redescobertas."
"Livros, jornais e revistas também podem estar nesse roteiro de estudos", acrescenta a coordenadora do Cursinho da Poli, Alessandra Venturi. "São recursos que podem até ajudar os alunos na prova de redação, seja na formulação dos argumentos seja enriquecendo o vocabulário", diz a professora. "Alunos que têm uma visão geral sobre o que está rolando na mídia terão muito mais recursos para se dar bem nas provas."
Segundo Alessandra, candidatos que precisam estudar mais um pouco para se sentir mais seguros devem no máximo se esforçar para resolver questões de provas anteriores ou fazer algumas redações, sempre procurando controlar o tempo para cada uma das partes. "A sexta-feira, no entanto, deve ser reservada, impreterivelmente, para descanso", afirma.
FILMOGRAFIA INDICADA
Ficção
- A Onda (Dennis Gansel)
- Quanto Vale ou É por Quilo? (Sergio Bianchi)
- Xingu e O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (Cao Hamburger)
- Wall-E (Andrew Santon)
- O Preço do Amanhã (Andrew Niccol)
Documentários
- Arquitetura da Destruição (Peter Cohen)
- Janela da Alma (João Jardim e Walter Carvalho)
- O Veneno Está na Mesa (Sílvio Tendler)
- Pro Dia Nascer Feliz (João Jardim)"


DIVIRTAM-SE!!
Sim, aprender pode ser divertido!
=]
Boa sorte na prova!
Um mol de abraços a todos vocês!

Goiânia, 25 anos depois do acidente com Césio-137

Goiânia, 25 anos depois: 'Perguntam até se brilhamos', diz vítima

Odesson Alves Ferreira, 57 anos, teve um dedo amputado após o acidente
Foto: Mirelle Irene/Especial para Terra
O tempo não foi um aliado das vítimas do césio 137. Após 25 anos do maior acidente radioativo do Brasil, as pessoas que tiveram contato direto ou indireto com a cápsula contaminada ainda sofrem. Vivem marcadas pela expectativa sempre presente de desenvolver doenças decorrentes à exposição ou pelo estigma perante à sociedade, nunca superado. "A gente sofre preconceito até hoje. As pessoas sempre perguntam se o fato de se estar perto de nós, ou se ao nos tocar, não estaríamos contaminando elas, se não é perigoso. Ou até mesmo se é verdade que nós brilhamos à noite. Perguntas desse tipo", afirmou Odesson Alves Ferreira, 57 anos, presidente da Associação das Vítimas do Césio 137.
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Por causa disso, quem foi exposto ao material ou teve contato com contaminados prefere não falar sobre o assunto. "Quando vão ao hospital, por exemplo, muitas, ao invés de contar suas histórias, se calam, porque têm medo de falar", disse o presidente da associação.
Odesson disse que teve cerca de 50 pessoas da sua família envolvidas direta ou indiretamente no acidente. Ele é irmão de Devair Ferreira, dono do ferro-velho onde a cápsula foi aberta. No ano do acidente, Devair perdeu a cunhada Maria Gabriela e a sobrinha Leide, filha de outro irmão, Ivo Ferreira. Todos em decorrência da contaminação radioativa. Ele próprio teve sequelas nas mãos, ao manusear fragmentos de césio durante uma visita à casa de Devair. Ficou três meses confinado com outras vítimas para tratamento. Teve um dedo amputado na mão direita e um outro dedo atrofiado na mão esquerda. Seus dois filhos, com 12 e 14 anos na época, também foram afetados pela radiação.
Caminhoneiro e motorista de ônibus aposentado aos 32 anos por causa das sequelas nas mãos, Odesson diz que o preconceito o impediu de voltar a trabalhar. "Quando voltei na empresa que trabalhava, para tentar ocupar outra função, o médico da empresa não quis nem pegar o documento do INSS que eu levava. Aí eu percebi que a coisa era grave", disse. Odesson lembra que, antes do acidente, era fã de filme de ficção científica. "Mas jamais achei que aconteceria comigo. E não foi ficção, foi uma dura realidade."
Problemas psicológicos
Odesson acredita que o acidente provocou um problema social por ter afetado psicologicamente as vítimas. Para ele, muitas delas, mesmo que não tenham falecido de doenças diretamente relacionadas à exposição ao césio, acabaram consumidas pela tragédia. "Nós não podemos fazer nexo causal, porque, infelizmente a ciência não nos garante isso. No atestado de óbito do Devair, por exemplo, consta como causa da morte cirrose hepática. Mas o que levou ele a beber quatro garrafas de cachaça por dia? Ele mesmo dizia que tinha provocado o acidente, se sentia culpado por aquilo. Ele se suicidou. Temos outras vítimas que tentaram suicídio, mais de duas vezes", relatou. Odesson lembrou também do outro irmão: "O Ivo morreu de efizema pulmonar, mas algo o levou a fumar seis maços de cigarro por dia. Ele se sentia culpado por levar fragmentos do césio e entregar para a filha", afirmou.
O presidente da associação disse que a dificuldade de comprovar mortes ou doenças em decorrência da contaminação agrava a situação das vítimas. Mas, para ele, não há como ignorar a herança do césio. "Um dos indícios é a ocorrência de cinco ou seis doenças ao mesmo pleito, ou desencadeamento de doenças precoces. Dentro do grupo tem gente que desenvolve osteosporose e pressão alta com 20 anos. Isso não é normal", apontou.
A associação que Odesson comanda foi criada em 13 de dezembro de 1987, por moradores da rua 57, onde a cápsula de césio 137 começou a ser desmontada. "O pessoal vinha e tirava mesas, cadeiras e outros móveis da casa deles e jogavam fora e eles não conseguiam ter acesso às autoridades para serem ressarcidas. A saída foi criar uma instituição para ter força jurídica", disse.
Hoje, a associação tem 1.194 inscritos, aceitos sob alguns critérios, como comprovação de que foi vítima direta ou indireta do acidente, ou ter morado em uma das localidades afetadas, ou, ainda, ser descendente de vítima direta. Mesmo sem ter sede própria, a associação provê assistência jurídica e outros serviços aos afetados. "Nosso maior desafio é garantir a assistência integral. Eu já nem luto por indenização, mas se a associação decidir, vamos lutar por isso também", destacou. Segundo ele, só os parentes das quatro pessoas que morreram comprovadamente por contaminação direta com o césio receberam indenização do Estado. "No caso do meu irmão Ivo, deu para ele comprar na época uma carroça e uma égua", disse. Nos cálculos da associação, 960 pessoas ainda tentam receber indenização nos últimos 25 anos. "Isso em um universo de 1.600 que foram afetadas direta ou indiretamente", contou.
Odesson, atualmente, dá palestras pelo Brasil sobre o acidente radiológico de Goiânia, mas acredita que há muito despreparo ainda sobre o tema. "O Brasil não está preparado para outro acidente, a Cnem (Comissão Nacional de Energia Nuclear) nunca fez outro treinamento e nem oficina para discutir o que foi feito em Goiânia. Muitos técnicos que atuaram na época já se aposentaram. Tudo está caindo no esquecimento", lamenta. Por fim, questionado de quem seria a culpa do acidente, Odesson culpa a negligência dos donos do IGR, a clínica onde a cápsula foi abandonada, a vigilância sanitária e o Cnem. "Quem foi o mais culpado eu não sei, mas eu condenaria os três."
Os detalhes da tragédia
No dia 13 de setembro de 1987, no Centro de Goiânia, dois catadores de lixo descobrem um aparelho de radioterapia abandonado. Com a intenção de vender o metal, a dupla leva até um ferro-velho localizado na rua 57 do Setor Aeroporto. O dono do estabelecimento, Devair Alves Ferreira, compra o material e, naquele noite, abre a cápsula e encontra um pó que emitia um brilho azul. Maravilhado com a coloração, ele leva para dentro de casa e mostra para a cunhada, Maria Gabriela Ferreira, e para o restante da família. Sem ter noção do que tinha nas mãos, ele passou dias mostrando para amigos, vizinhos e parentes, o seu achado. Alguns até levaram porções do pó para casa, como o seu irmão Ivo. Nesse meio tempo, Devair e sua família começam a apresentar os sintomas da radiação, como tonturas, náuseas e vômitos.
Alertada por vizinhos, a cunhada de Devair desconfiou que os problemas de saúde tinham origem na cápsula. De ônibus, ela levou o material até a Vigilância Sanitária. Os doentes, que já apresentavam queimaduras, eram tratados no Hospital de Doenças Tropicais. Somente no dia 29 de setembro foi constatado que o produto levado por Maria Gabriela era radioativo e se tratava do césio 137, uma substância que não existe na natureza e é resultado da queima do Urânio 235 dentro de um reator nuclear.
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) foi acionada. O pânico se espalhou por Goiânia. A Cnen monitorou os níveis de radioatividade de mais de 110 mil pessoas, no Estádio Olímpico. Encontrou radiação em 271 delas, sendo que 120 tinham rastros em roupas.
No dia 1º de outubro daquele ano, 14 pessoas, em estado grave, foram levadas para o Hospital Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Poucas semanas depois, quatro delas morreram. A primeira foi Leide das Neves Ferreira, 6 anos, a sobrinha do dono do ferro-velho e que se tornou o maior símbolo da tragédia. No mesmo dia, Maria Gabriela Ferreira, 37 anos, perdia a vida também. Morreram ainda outros dois jovens, Israel Batista dos Santos, 22 anos, e Admilson Alves de Souza, 18 anos. Os quatro foram os únicos mortos segundo dados oficiais. A Associação das Vítimas do Césio 137, no entanto, aponta que nesses 25 anos 104 pessoas tenham morrido e cerca 1,6 mil tenham sido afetadas de forma direta.
Os responsáveis pela tragédia foram condenados por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar e cumpriram penas brandas. Em fevereiro de 1996, quase dez anos depois do acidente, os médicos Carlos Bezerril, Criseide Castro Dourado e Orlando Alves Teixeira e o físico hospitalar Flamarion Barbosa Goulart foram senteciados a três anos e dois meses de prisão em regime aberto. Os médicos e o físico tiveram que prestar serviços à comunidade.
A decisão foi do Tribunal Regional Federal de Brasília, que modificou as penas impostas pela Justiça de Goiânia. Em 1992, todos os envolvidos tinham recebido penas mais brandas, mas um recurso impetrado junto ao TRF alterou toda a situação.
Sócios na Clínica de Radiologia de Goiânia, Carlos, Criseide e Orlando foram considerados os principais responsáveis pelo acidente. Eles deixaram, na sede da clínica, uma bomba radioativa. Com a retirada de telhas, portas e janelas, o prédio ficou desprotegido e a bomba acabou chamando a atenção de catadores.
O ferro-velho e outras residências da região foram destruídas, assim como os pertences das famílias envolvidas, gerando toneladas de rejeitos radioativos. Um depósito foi construído em Abadia de Goiás, cidade ao lado de Goiânia. Em 1987, quando os rejeitos foram levados para lá, Abadia de Goiás ainda não era um município.

FONTE:
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI6150380-EI306,00-Goiania+anos+depois+Perguntam+ate+se+brilhamos+diz+vitima.html

Voluntários que ajudaram na descontaminação, cerca de 11 dias após a abertura da cápsula.
Transferência dos contaminados para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro

Monitoração da cápsula do césio por agentes da vigilância sanitária.



Enterro de duas das vítimas