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De Wöhler à Estrutura Tetraédrica do Carbono



A expressão “química orgânica” tem origem no século XVIII, quando se acreditava que os compostos de carbono só poderiam ser obtidos de organismos vivos [Teoria da Força Vital]. A primeira separação da Química em Inorgânica e Orgânica ocorreu por volta de 1777. Essa separação foi proposta pelo químico alemão Torbern Olof Bergman (1735-1784), que definiu:

· Química Inorgânica é a parte da Química que estuda os compostos extraídos dos minerais.
· Química Orgânica é a parte da Química que estuda os compostos extraídos de organismos vivos.
            Com base nessa definição, Jöns Jacob Berzelius (1779-1848) formulou a Teoria da Força Vital, ou Vitalismo, segundo o qual os compostos orgânicos necessitavam de uma força maior, a vida, para serem sintetizados.
            Em 1828, um aluno de Berzelius, Friedrich Wöhler (1800-1882), derrubou essa Teoria, sintetizando em laboratório a uréia, CO(NH2)2 , um composto orgânico integrante do suor e da urina dos animais, pelo simples aquecimento de um composto inorgânico extraído de minerais, o cianato de amônio , NH4OCN.
Δ
                                                        NH4OCN → O = C(NH2)2

            Abandonada a Teoria da Força Vital, a denominação deixou de ter sentido, porém foi mantida por tradição.

            A Química Orgânica está intimamente ligada à vida na Terra. Se os compostos de carbono fossem removidos do corpo humano, não restaria mais do que água e alguns resíduos de minerais. O mesmo aconteceria com qualquer organismo vivo.

            Carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas, hormônios, enzimas e muitos remédios são compostos orgânicos. Da mesma maneira, plásticos, perfumes, aromatizantes, sabões, detergentes, borracha e outra infinidade de matérias contêm compostos orgânicos. Percebeu-se então que a definição de Bergman para a Química Orgânica não era adequada. Devido à presença constante do carbono nos compostos orgânicos conhecidos na época, como a uréia, o ácido tartárico, a glicerina, o ácido cítrico e o ácido lático, dentre outros, o químico alemão Friedrich August Kekulé (1829-1896) propôs em 1858 a definição aceita atualmente:

Química Orgânica é a parte da Química que estuda praticamente todos os compostos do elemento carbono.

            Desse modo, a Química Inorgânica é a parte da Química que estuda os compostos dos demais elementos e alguns poucos compostos do elemento carbono, que são denominados compostos de transição. Esse pequeno grupo de compostos, chamados de transição, possui o carbono, mas tem propriedades semelhantes às dos compostos inorgânicos. Dentre eles podemos citar o gás carbônico, o monóxido de carbono, o cianeto de hidrogênio e o isocianato de hidrogênio.

            Com a síntese da ureia, Wöhler deu início a um grande campo de pesquisa, o das sínteses orgânicas. Hoje são conhecidos por volta de 7 milhões de compostos orgânicos contra 200 mil inorgânicos.

             Comparecendo com apenas 0,08% em massa do planeta e aproximadamente 12% nos seres vivos, o que torna o carbono um elemento químico tão especial?

            Se os compostos de carbono podem ser sintetizados em laboratório, por que estudá-los separadamente dos compostos inorgânicos?

POSTULADOS DE KEKULÈ

A segunda metade do século XIX presenciou o nascimento das primeiras concepções realmente consistentes sobre estruturas químicas. Em 1852, o químico inglês Edward Frankland [1825-1899] publicou um trabalho em que aparecia a expressão valência [do latim valentia = que tem força, poder]. Segundo Frankland, cada átomo teria o poder de ligar-se a um número fixo de outros átomos, ou seja, a uma certa valência. O hidrogênio, por exemplo, teria valência 1, e o oxigênio, valência 2. Isso permitia prever que a fórmula da água poderia ser H – O – H , ou seja H2O. 

Oito anos mais tarde, em 1860, o químico italiano Stanislao Cannizzaro [1826-1910] mostrou que substâncias diferentes poderiam ter a mesma proporção de átomos, ou seja, a mesma fórmula mínima. Assim, tanto o etileno como o ciclohexano, poderiam apresentar a fórmula CH2. Foi a partir dessa observação que nasceu a diferença entre a fórmula mínima (CH2) e a fórmula molecular: C2H4 (etileno) e C6H12 (ciclohexano).

Mas qual seria a geometria das moléculas, ou seja, como poderiam ser construídas as fórmulas estruturais espaciais?
            Entre 1858 e 1861, praticamente na mesma época dos trabalhos de Cannizzaro, vários cientistas elaboravam outras teorias sobre estruturas moleculares. Foi assim que o químico inglês Archibald Couper [1831-1892] sugeriu que cada valência do átomo fosse indicada por um traço, dando origem à fórmula estrutural plana, também conhecida no meio científico como fórmula de Couper. Na mesma época, mas de maneira independente, surgiram trabalhos semelhantes, como o do químico alemão August Kekulé.


            Para explicar a razoável quantidade de compostos orgânicos já conhecidos, alguns com fórmulas moleculares semelhantes, Kekulé propôs hipóteses extraordinárias:

 O carbono teria quatro valências.

 Os átomos de carbono poderiam formar cadeias.

 Os átomos de carbono poderiam unir-se entre si, utilizando uma ou mais valências. [Surgia assim o conceito de ligação simples, dupla e tripla].

# A estrutura tetraédrica do Carbono


Apesar de as propostas de Couper e Kekulé serem de grande importância, eram apenas fórmulas planas, em duas dimensões. Colocou-se, então, a seguinte questão: essas fórmulas corresponderiam às geometrias reais das moléculas? Ou seja, de que maneira os átomos estariam efetivamente dispostos no espaço?

As primeiras respostas surgiram 15 anos depois, com os trabalhos independentes do químico holandês Jacobus H. Van’t Hoff [1852-1911] e do químico francês Joseph Achille Le Bel [18471930].


            Em 1874, esses jovens cientistas propuseram um conjunto de hipóteses, de elevada criatividade e profunda importância para o futuro da Química Orgânica.

Veja:

As quatro valências do carbono estariam dirigidas para os vértices de um tetraedro.
As quatro valências seriam espacialmente equivalentes.
As ligações simples, dupla e tripla seriam correspondentes a diferentes formas de união entre dois tetraedros.



CURIOSIDADE

Um grupo de cientistas confirmou a existência de uma molécula de carbono exótica que pode formar seis ligações – o que significa que a Teoria da tetravalência do Carbono está ultrapassada.

Em 1973, investigadores alemães propuseram que poderia ser teoricamente possível criar uma molécula de carbono com seis ligações, usando hexametilbenzeno. O anel hexagonal plano consiste em seis átomos de carbono (cinzentos), que se ligam a seis “braços” de carbono extra e aos átomos de hidrogênio (brancos).

Os átomos de carbono formam uma ligação com três outros átomos de carbono, ou uma ligação com um carbono, e três átomos de hidrogênio.

Numa ligação típica, são compartilhados dois elétrons – um de cada átomo. Os elétrons restantes que não são compartilhados permanecem no meio do anel para reforçar as ligações existentes.

No passado, os cientistas alemães questionaram o que aconteceria se a molécula de hexametilbenzeno perdesse dois elétrons.

Os especialistas propuseram que isso forçaria a molécula a formar uma versão muito menos estável, positivamente carregada, de si mesma, que basicamente colapsaria numa espécie de pirâmide.

Como o composto só é estável quando criado em ácido extremamente potente, ninguém tinha verificado a forma da molécula, até agora.

Uma equipe de cientistas liderada pelo químico Moritz Malischewski, da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, decidiu tentar sintetizar uma molécula de hexametilbenzeno para confirmar a sua estrutura.

Assim que o composto cristalizou, a equipa usou raios-X para criar um modelo 3D, e descobriu que dois elétrons tinham sido empurrados para fora da estrutura, o que mudou dramaticamente o seu interior.

Um átomo de carbono saltou do anel e adquiriu uma nova posição no topo, transformando a forma hexagonal numa pirâmide de carbono de cinco lados. Como resultado, o carbono em cima da pirâmide estava ligado a seis outros átomos de carbono – cinco no anel abaixo, e um acima.

No entanto, o estudo publicado na revista Angewandte Chemie revela que estas seis ligações de carbono não são tão fortes ou estáveis como as quatro ligações da maioria dos compostos.

A confirmação de uma teoria com 40 anos significa que os especialistas têm, agora, a certeza de que a ligação de carbono é muito mais complexa do que pensávamos – e que há a possibilidade de existirem estruturas moleculares ainda mais estranhas.

 
Pirâmide de Carbono de cinco lados
REFERÊNCIAS:

Uma pequena viagem histórica e científica


Alquimia, uma mistura de ciência, arte e magia, que floresceu durante a Idade Média, tendo uma dupla preocupação: a busca do “Elixir da Longa Vida” ,que garantiria a imortalidade e a cura das doenças do corpo; e a descoberta de um método para a transformação de metais comuns em ouro (Transmutação), que ocorreria na presença de um agente conhecido como “Pedra Filosofal”.[1]   Os laboratórios eram antros negros e sinistros, cheios de odores nauseabundos. As prateleiras e mesas estavam sempre cheias de frascos de formas e cores bizarras, em torno, espalhavam-se em desordem, papéis cobertos de sinais cabalísticos. Um dos seus sonhos era a transformação de qualquer metal em ouro. Acreditavam que todos os metais eram, na realidade, ouro, o “metal perfeito”, em estado de impureza. Esforçavam-se, por isso, para encontrar um fermento misterioso que tivesse a propriedade de transformá-los em ouro. Chamavam a esse fermento sólido, a “Pedra Filosofal”.[2]  A procura pelo ouro não era motivada por razões econômicas, mas sim porque ele, com sua resistência a corrosão, representava a perfeição divina. Contudo, muitos charlatões se aproveitaram de encenações simulando a transmutação para enriquecer a custa da boa-fé de alguns (ingênuos) adeptos da Alquimia.[1]  Outro sonho dos alquimistas era a fabricação do “Elixir da Longa Vida”. Este elixir curaria todas as doenças e conservaria a juventude.[2]  Na China, as especulações dos alquimistas conduziram ao domínio de muitas técnicas de metalurgia e à descoberta da pólvora. Os chineses foram os inventores dos fogos de artifício e os primeiros a usar a pólvora em combate, no século X.[1] 
Esses objetivos nunca foram alcançados pelos alquimistas, mas permitiram o desenvolvimento de vários aparelhos e técnicas laboratoriais importantes.[3] Muitos progressos no conhecimento das substâncias provenientes de minerais e vegetais foram obtidos no Ocidente e no Oriente.[1] Desenvolveram processos importantes para a produção de metais, de papiros, de sabões e de muitas substâncias, como o ácido nítrico (chamado na época de aqua fortis), o ácido sulfúrico (oleum vitriolum), o hidróxido de sódio e o hidróxido de potássio.[4]  No século XVI , o suíço Theophrastus Bombastus Paracelsus propôs que a Alquimia deveria se preocupar principalmente com o aspecto médico em suas investigações.(Isso ficou conhecido como Iatroquímica). Segundo ele, os processos vitais podiam ser interpretados e modificados com o uso de substâncias químicas. Sua contribuição no diagnóstico e no tratamento de algumas doenças foi digna de nota.  Os últimos anos do século XVI e o transcorrer do XVII firmaram os alicerces da Química como Ciência, com a publicação do livro Alchemia , do alemão Andreas Libavius. Nos séculos XVIII e XIX , os trabalhos de Lavoisier, Berzelius, Gay-Lussac, Dalton, Wöhler, Avogadro, Berthelot, Kekulé e tantos outros deram origem à chamada Química Clássica . No século XX , com o grande avanço tecnológico, presenciou-se uma vertiginosa evolução do conhecimento químico. Modernas técnicas de investigação foram desenvolvidas, utilizando conceitos de Química, Física, Matemática, Computação e Eletrônica.[1]  A Química tornou-se, então, uma Ciência, que acompanhou todas as etapas da evolução da cultura humana, mas ainda hoje é considerada por muitos como um produto de magia.[3]  

RENASCIMENTO

Finda-se o período Medieval e, com ele, a hegemonia da Igreja Católica que começa, à partir desse momento, a ser questionada. Trata-se de um momento em que os direitos das nações e dos cidadãos se sobrepuseram à tradição universal da autoridade religiosa. Para que ocorressem tais mudanças na forma como o homem via o mundo e via a si próprio, passamos por um período conhecido por Renascença, o momento dessa grande transição.  Iniciou-se na Itália por volta do século XIV e buscava novas perspectivas da Antiguidade Clássica, sendo inspiração para os artistas e desafiando o misticismo e o ascetismo medievais. O maior pensador da época foi o holandês Erasmo de Roterdam (1467-1536), que via no Humanismo uma maneira de combater a ignorância monástica, o abuso da Igreja, as solicitações em dinheiro e em trabalho dos religiosos e o baixo nível da moralidade pública e privada.  A Renascença assistiu não somente à redescoberta da Antiguidade, mas também à descoberta de novos mundos geográficos (já no século XV):  Descoberta da América  Viagens às Américas e às Índias Grandes contribuições ao período:

1) Nicolau Maquiavel (1469-1527): “O Príncipe” 
2) Martinho Lutero (1483-1546): Reforma Protestante 
3) John Wyclif (na Inglaterra) 
4) João Calvino (na Suíça) 
5) Huldrych Zwinglio (na Suíça)

Além de buscar a restauração da disciplina na Igreja e uma volta ao cristianismo primitivo, os reformadores desejavam diminuir o controle exercido pela Igreja e assegurar, assim, liberdade de pensamento. Isto foi extremamente decisivo para que se estabelecessem novas posturas ante a Ciência, facilitando o surgimento de novas mentalidades. É claro que nem todos os reformadores foram assim tão bonzinhos e inocentes como se pinta; dentre eles houveram muitos fanáticos, que por consequência tornaram-se piores que qualquer inquisidor dos tribunais eclesiásticos, o que veio criar uma consequente reação do papado, desencadeando a Contra Reforma, revivendo a Inquisição, para investigar a heresia, a feitiçaria, a magia e a Alquimia. 

INQUISIÇÃO E BRUXARIA

               “A época do Renascimento foi uma das épocas menos dotadas de espírito crítico que o mundo conheceu. Trata-se da época da mais profunda e grotesca superstição, da época em que a crença na magia e na feitiçaria se expandiu de modo prodigioso, infinitamente mais que na Idade Média.”   [Koyrè] 
A Inquisição tinha como função primordial inquirir ou investigar toda e qualquer opinião ou doutrina contrária ao ensinamento oficial da Igreja, e nasceu da necessidade de combater os hereges, que se multiplicavam na Europa ocidental a partir do século XIII. Inicialmente confinada a tribunais ordinários, a Inquisição tornou-se, em 1231, por delegação papal, especialidade dos dominicanos, que tinham independência quase total na repressão das heresias.   A bruxaria e a demonologia apareceram, paradoxalmente, no mesmo momento em que a Revolução Científica transformava a maneira de a humanidade pensar, migrando de uma concepção geocêntrica para a heliocêntrica, deixando também, com isso, de ser antropocêntrica.   Na Europa, no período que vai de 1550 a 1650, há uma verdadeira “epidemia de bruxaria”, justamente quando explode a Ciência Moderna. Assim como o Cristianismo não venceu o Paganismo, e muito dele incorporou, a Ciência não derrotou a magia.   Para lutar contra o mau da bruxaria tanto a Igreja Católica quanto a protestante organizaram uma verdadeira cruzada de “caça às bruxas”.   Era uma época em que a crença nos maleficium, danos provocados por meios ocultos, eram fatos corriqueiros. Os supostos atos de malefício despertavam a raiva do povo. Naqueles dias, nem a Igreja nem as autoridades seculares perdiam tempo perseguindo bruxas. Embora muitos malefícios violassem a lei civil ou eclesiástica, havia bem poucos processos por tais ofensas antes do século XIV. Na verdade circulavam rumores de que os próprios clérigos estivessem envolvidos com a feitiçaria, ou ao menos com as práticas ocultas mais elevadas, conhecidas como rituais mágicos; e já que os clérigos figuravam entre os poucos com capacidade para ler os antigos livros de magia, tais suspeitas eram compreensíveis.  

A atitude dos europeus em relação à bruxaria começava a mudar e haveria um tempo em que qualquer bispo católico, no lugar de deter-se para salvar suspeitos de bruxaria, provavelmente estaria enviando centenas deles para a morte. A partir do século XIV, o continente testemunharia um frenesi de ódio e uma homicida caça às bruxas que ceifaria a vida de milhares de inocentes durante aproximadamente trezentos anos. Alastrando-se como fogo, a fúria se desencadearia primeiramente num lugar, depois em outro, até incendiar a vida civilizada – França, Itália, Alemanha, Países Baixos, Espanha, Inglaterra, Escócia, Áustria, Noruega, Finlândia e Suécia, e, por breve período, saltaria o Atlântico, inflamando até o Novo Mundo.   

Quando a caça às bruxas invadia uma cidade, seus horrores marcavam quase todos os aspectos da vida do lugar. Ninguém estaria a salvo! Em inúmeros tribunais civis e nas temidas cortes da Inquisição, a acusação era sinônimo de condenação, e a condenação, uma sentença de morte. Flageladas e mutiladas pelos torturadores, a carne dilacerada e os ossos quebrados, as infelizes vítimas confessavam coisas que hoje parecem uma mistura absurda de acusações sérias e tolas. Os que tivessem sorte seriam decapitados ou mortos de maneira relativamente mais humanas antes que seus corpos fossem reduzidos a cinzas em fornos. Mas os mais azarados eram queimados vivos – em fogueiras de madeira verde para que a agonia se prolongasse – caso cometessem transgressões que despertassem irritação ainda maior, como, por exemplo, renegar a própria confissão.   Quando a carnificina atingiu o auge nos domínios germânicos, em meados de 1600, povoados inteiros eram dizimados de uma só vez.  

A Igreja foi a principal responsável pelas mudanças nas atitudes das pessoas e na política oficial que resultaram na grande caçada as bruxas. Depois da queda do Império Romano, a Igreja era a única instituição com força suficiente para manter algum tipo de ordem e universalidade cultural na Europa ocidental. Mesmo quando o poder de Roma declinou, missionários cristãos, como são Patrocínio e são Bento viajaram pelo império e além de seus limites, propagando o Evangelho tanto para os colonizadores como para os assim chamados bárbaros. Os missionários fundaram monastérios nos quais dedicados estudiosos podiam se retirar da turbulência mundana para manter acesa a frágil chama do conhecimento. Na própria Roma, o papado realmente se fortaleceu na medida em que se esvanecia a autoridade secular. Assim quando os germanos conquistadores marcharam sob o arco imperial Trajano, muitos de seus líderes já haviam se convertido ao Cristianismo.  

Com o passar do tempo, a influência da Igreja tornou-se mais abrangente. No entanto, muitos dos que se declaravam cristãos no norte da Europa ainda se mantinham fiéis a certas crenças pagãs de seus antepassados. Até as práticas mais comuns, tais como: usar amuletos, ler horóscopos e dizer encantamentos para curar enfermos, deviam ser execradas como aberrações demoníacas. Portanto, parecia natural que os indesejáveis curandeiros, videntes e feiticeiros, bem como os alquimistas, fossem condenados como participantes das demoníacas hostes do diabo.   Por mais irônico que pareça, durante muitos séculos o que mais atormentou a Igreja não foram às bruxas, mas sim um outro inimigo. Ainda pior que o paganismo, do ponto de vista dos sacerdotes, era a heresia – variações na doutrina ou lapsos na crença desautorizados pela Igreja, que podiam originar cismas. Desde o início do cristianismo, diversos tipos de rebeldes eclesiásticos indispunham-se com a hierarquia central, rompendo com ela para formar suas próprias seitas. Esses grupos dissidentes deram início a novas seitas na Turquia e na Armênia e, na tentativa de eliminá-las, a Igreja imputava-lhe um número fantástico de acusações, tais como adorações ao demônio, incesto, infanticídio e canibalismo.   Multiplicaram-se as prisões...Todos que reclamassem da perseguição às bruxas não tardavam a incluir-se entre os prisioneiros. Os inquisidores declaravam que apenas as bruxas se opunham às fogueiras e, portanto, todos que as contestassem também seriam queimados.    

Na medida em que a Igreja católica acelerava sua campanha para libertar o mundo das feiticeiras, seu principal inimigo terreno transformou-se em seu aliado. No século XVI a Reforma protestante consumara aquilo que todas as dissidências anteriores não haviam conseguido: dividir o movimento cristão da Europa ocidental em dois campos antagônicos. Mas Martinho Lutero, cujos ataques contra a corrupção da Igreja haviam provocado a cisão, não discordava das autoridades da Igreja romana com relação à feitiçaria: considerava as bruxas tão perigosas quanto acreditavam os católicos. João Calvino, seu companheiro protestante, também não revelava tolerância maior para com as bruxas: como Lutero, via nelas apenas o perigo. Nas outras partes da Europa, a perseguição às bruxas continuava a se inflamar, alastrando-se por todos os lugares. Em 1579, o Concílio da Igreja de Melun declarava:  “Todos os charlatães, adivinhos e outros que pratiquem necromancia, piromancia, quiromancia e hidromancia serão condenados à morte.”   Todo o horror dos julgamentos por bruxaria e suas desastrosas conseqüências na economia da Europa inevitavelmente levaram a uma reação por parte daqueles que tinham coragem suficiente para opinar: na Alemanha, Friederich von Spee(século XVII), Johan Weyer(1563); na Itália, Samuel de Cassini(1505); na Espanha, Alonso Salazar de Frias(1611); na França, Gabriel Naudè(1625);na Holanda, Balthasar Bekker(1691) e, na Inglaterra, Robert Calef(1700).  

A essa altura, a obsessão pelas bruxas já começava a fenecer na Europa. Comerciantes e governantes viam-na como um problema para a economia. Os intelectuais percebiam que tudo aquilo era irracional e inconsistente, contrário à nova  mentalidade científica que começava a despontar e que seria mais tarde conhecida como Iluminismo.   Mesmo que a Igreja e o Estado tivessem abdicado da perseguição, o medo e o ódio cuidadosamente alimentados por essas instituições durante séculos a fio não foram imediatamente erradicados. Muito tempo após os últimos tribunais, relatos de ataques contra supostos feiticeiros, surgiam ocasionalmente nas regiões rurais da Europa, onde perduravam velhas crenças.

  Talvez episódios turbulentos, alguns ocorridos recentemente, em pleno século XX, sejam apenas o estremecer de uma força que já pereceu, como se fossem os espasmos musculares involuntários que continuam após a morte de um animal. Isto certamente é uma opção preferível à outra possibilidade que essa analogia sugere: que o monstro caçador de bruxas não está morto, mas apenas se agitando enquanto dorme. 

O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO NA RENASCENÇA

·        Química 

Teve uma enorme influência da Alquimia, principalmente com Paracelso que, além de alquimista, era médico renomado. Outro nome importante foi o do médico e químico alemão Andréas Libavius, que escreveu Alquimia, considerado o mais bonito livro de química do século XVII.   Nesse período, mesmo fortemente marcados pelo hermetismo (transmutação), a Alquimia prestou significativa colaboração nas técnicas de metalurgia e de mineração, os primeiros ramos da química a contribuir para os aperfeiçoamentos tecnológicos.

·        Física 

Não teve um desenvolvimento significativo nesse período; destacam-se os estudos de magnetismo por Simon Stevin, e de mecânica por William Gilbert e alguns trabalhos de óptica.

·        Ciências Médicas 

Ganharam impulso com o surgimento das Universidades e com o início da experimentação na anatomia. Maior destaque se dá ao belga André Vesálio.

·        Astronomia 

Nesse ramo, destaca-se Nicolau de Cusa (Nikolaus Krebs) com a proposição de que a Terra não seria o único lugar no universo em que havia vida.

·        Arte 

Na Renascença, merece destaque o artista e sábio Leonardo da Vinci (1452-1519). Da Vinci foi um homem de saber enciclopédico, exímio conhecedor de anatomia, geologia, botânica, hidráulica, óptica, matemática, arquitetura, engenharia, fortificações militares e filosofia.  Sabe-se que os objetos do pensamento humano são: a filosofia, as artes, a religião e os conhecimentos científicos. De todos, somente a Ciência, por suas características, se universalizou. Não se tem uma arte universal, uma religião universal, uma filosofia universal, mas se tem uma ciência universal. Foi assim no Renascimento, com o concurso dos povos árabes, que começou o desenvolvimento da Ciência e que chegou até os nossos dias. 

IMPEDIMENTOS PARA O AVANÇO CIENTÍFICO

Torna-se necessário avançar! Já não bastava mais apenas o conhecimento herdado da Antiguidade Clássica. Porém, havia impedimentos e dificuldades para que a Ciência progredisse. Dentre eles podemos destacar:

·        A mitificação da Ciência Grega 

Os livros de Aristóteles tinham sido comentados por Tomás de Aquino e logo foram adotados pela Igreja, tornando a Ciência grega intocável. Dessa forma, a primeira dificuldade foi superar esta mitificação, ou seja, admitir que a Ciência grega continuava com equívocos que deviam ser reparados. Roger Bacon, monge franciscano e um dos precursores da Ciência experimental no século XIII, chegou a dizer que a Ciência grega estava toda errada, o que certamente era um exagero.

·        Restrições Religiosas 

O patrocínio das Ciências pela Igreja exigia que todo conhecimento científico estivesse de acordo com a interpretação dada pelos doutores da época às Sagradas Escrituras, fazendo com que todos que não concordassem fossem considerados hereges. O surgimento do protestantismo mudou um pouco essa situação, na medida em que os protestantes achavam que a Ciência ajudava a compreender melhor a obra de Deus.

·        Superstições e Magias 

Quando a Ciência nasceu ela trazia em si todo um revestimento de magia. Foi preciso que a mente humana se afastasse das superstições herdadas da Idade Média e passasse à observação dos fenômenos, à sua catalogação, análise e conclusão através de um modo racional de pensar. Inicialmente com grande dificuldade, devido à falta de uma metodologia, até que se chegou ao Método Científico, que foi a pedra de toque para que a Ciência vencesse todas essas dificuldades e, enfim, desabrochasse. 
A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA DO SÉCULOXVII

Para romper com todos os impedimentos ao avanço científico, foi preciso que homens corajosos superassem tais dificuldades e realizassem a conhecida Revolução Científica, período que se iniciou no século XV e estendeu-se até o século XVII.   Sabe-se que a Ciência em todos os tempos foi construída por milhares de trabalhadores anônimos. Credita-se grande parte das descobertas desse período (século XVII) à tríade Copérnico-Galileu-Newton, mas ao lado desse três gigantes, vamos encontrar muitos nomes que deixaram o anonimato para se incorporar a essa tarefa de construção do saber científico.   Giordano Bruno, que chegou a pagar com a própria vida sua ousadia; Thyco Brahe e Johannes Kepler que prepararam as ratificações decisivas de Galileu e de Newton.    A partir daí, a Ciência se desenvolve de modo exponencial. Inicialmente Galileu e Newton estabeleceram os princípios da Física e da Matemática; Kepler e Copérnico da Astronomia; Lavoisier e Dalton da Química; e na Eletricidade, Faraday, Hertz e Ampère.

“Em lugar da revelação através da palavra de Deus, entra a revelação através da obra de Deus, a qual só pode ser corretamente entendida e interpretada se for estudada com os novíssimos métodos objetivos.” [Cassirer]   

Francis Bacon é considerado um dos criadores do método científico moderno e da Ciência experimental.

“Para se conhecer a natureza é preciso observar os fatos, classificá-los e determinar suas causas.”  [Bacon]   

A ciência newtoniana é uma ciência prática: uma de suas fontes é o saber dos artesãos da Idade Média e dos construtores de máquinas.

“Se vi mais longe do que os outros homens, foi porque me coloquei sobre os ombros de gigantes.” [Newton]  

Mais recentemente temos Einstein, Otto Hahn e Enrico Fermi, que estabeleceram a Ciência Moderna, com a qual contamos hoje.

“...temos chamado de fé ao exercício de crer no que não podemos demonstrar...”        [Albert Einstein] 
REFERÊNCIAS


[1]PERUZZO,Tito Miragaia.CANTO,Eduardo Leite.Química na abordagem do cotidiano.vol.01.Editora Moderna. 1ªedição. São Paulo. SP. 1994. 
[2] Enciclopédia Delta Universal .vol.01. 
[3]MÓL,Gerson de Souza.SANTOS,Wildson Luiz Pereira.Química na Sociedade.vol01 módulo01. Editora  UnB.Brasília. DF. 1998. 
[4]USBERCO,João.SALVADOR,Edgard.Química. volume único. 1ªedição.Editora Saraiva. São Paulo. SP.   1997. 
[5]Mistérios do Desconhecido – Segredos dos Alquimistas. Editores de Time – Life Livros. Abril Livros.  Rio de Janeiro. RJ. 1996. 
[6]SOUSA, Régis Marcus. CRUZ, Thaiza Montine Gomes dos Santos. Alquimia, um resgate Histórico, Técnico e Cultural. Monografia/Projeto de Curso para obtenção do título de Pós-Graduação “Lato Senso” em Ensino de Química, pela Universidade Estadual de Goiás – UEG, na Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas, sob orientação da Professora Mestre Luciana Pereira Marques, em 2004. 

SUGESTÕES:

Filmes:        
O Violino Vermelho.
O Perfume a história de um assassino.                  
Cruzada    
Harry Potter e a Pedra Filosofal    
 The Physician 


Livros:
“O Perfume – a história de um assassino” Autor: Patrick Süskind Editora: Record  
“O caminho Jedi” Autor: Daniel Wallace Tradução: Raquel Novaes Editora: Bertrand Brasil



Séries:       
 “Castlevania”
“Fullmetal Alchemist Brotherhood”    
“Os Pilares da Terra”    
“Mundo sem fim”


“Se vi mais longe do que os outros homens, 
foi porque me coloquei sobre os ombros de gigantes.”                  
Newton 



Um pouco sobre o GRAFENO!!

Olá olá olá!!
Como combinado, eis os vídeos sobre o Grafeno!

Este primeiro, é um videozinho muito bacana, sobre a transformação do grafite em diamante:


Este outro vídeo é uma reportagem do Jornal da Band, de 2017:



Os dois próximos vídeos são do canal SP Pesquisa, dividido em dois blocos!!
Valem muito a pena ser assistidos!






Espero que tenham gostado!!
Um mol de abraços!

Stephen Hawking - in memoriam

O cientista britânico Stephen Hawking morreu nesta quarta-feira (14) aos 76 anos em sua residência, na cidade inglesa de Cambridge. Sua família enviou uma declaração oficial à imprensa confirmando a morte do físico e cosmólogo. Lucy, Robert e Tim, seus filhos, afirmaram que Hawking era "um grande cientista e um homem extraordinário cujo trabalho e legado viverão por muitos anos".

Considerada uma das mentes mais brilhantes da história da ciência, ele fez grandes contribuições à comunidade científica, com teorias como a do espaço-tempo e do funcionamento dos buracos negros, a partir das quais conseguiu aproximar o público de temas que poderiam parecer complexos para muitos.
Há décadas convivia com esclerose lateral amiotrófica, doença responsável por paralisar os músculos do corpo, mas que não comprometeu suas funções cerebrais.
Nascido em 1942, no aniversário de 300 anos da morte de Galileu, Hawking realizou seu trabalho acadêmico nas universidades britânicas de Oxford e Cambridge. Autor de best-sellers como Uma Breve História do Tempo e O Universo numa Casca de Noz, o cientista foi responsável por popularizar a física teórica para um público leigo.
Separamos oito reflexões a partir das quais é possível ter uma visão mais profunda da linha de pensamento — e das contribuições científicas do cosmólogo:
“Deus pode existir, mas a ciência consegue explicar o universo sem a necessidade de um criador.” 
Em múltiplas ocasiões, Hawking afirmou ser ateu. Neste caso, Deus seria uma espécie de limitação, ou seja, as pessoas só saberiam aquilo que Ele sabe. A diferença entre a religião e a ciência, de acordo com Hawking, é que a primeira é baseada em uma autoridade, enquanto a segunda funciona a partir da observação e da razão. “Eu acredito que o universo é regido pelas leis da ciência”, explicava. “A ciência triunfará porque ela funciona.”
“Acredito que a vida se desenvolve de forma espontânea na Terra, então deve ser possível para ela se desenvolver em outros planetas.” 
Hawking acreditava que formas inteligentes, não apenas microbianas, de vida existem em outros lugares do universo. Tanto que lançou um programa de 100 milhões de dólares cujo objetivo era buscar uma civilização extraterrestre.
A segunda parte da missão consistiria em compilar uma mensagem para ser enviada para essas formas de vida. “Não há questão maior. Está na hora de nos comprometermos a achar a resposta, a procurar vida fora da Terra. Estamos vivos. Somos inteligentes. Precisamos saber”, disse o físico.
O desenvolvimento da inteligência artificial pode ser o fim da raça humana.” Por sofrer de esclerose lateral amiotrófica, que compromete o funcionamento do sistema nervoso, o cosmólogo contava com a tecnologia para se comunicar. Especialistas da Intel e da Swiftkey criaram um sistema que, por meio do teclado de um aplicativo no smartphone, aprendia como Hawking pensava e sugeria palavras que ele queria usar em seguida. O desenvolvimento dessa tecnologia envolveu inteligência artificial, o que impressionava e assustava o cientista ao mesmo tempo.
Para ele, era necessário ter cautela para não criar uma espécie de Skynet que ultrapassaria a inteligência humana e substituiria as pessoas. Essa preocupação se estendia principalmente ao desenvolvimento de armas autônomas. Em carta aberta, Hawking e centenas de outros cientistas se posicionaram em relação as consequências desse tipo de tecnologia.
“A tecnologia relacionada a inteligência artificial chegou a um ponto no qual a disposição desses sistemas é possível em questão de anos, não décadas, e as expectativas são altas: as armas autônomas foram descritas como a terceira revolução para as guerras, após a pólvora e as armas nucleares”, diz o documento.
A pergunta chave para a humanidade hoje é se devemos dar início a uma corrida de armas feitas com inteligência artificial ou se devemos prevenir que ela sequer comece. É só uma questão de tempo até que elas apareçam no mercado negro ou nas mãos de terroristas e ditadores que querem controlar suas populações, ou déspotas que desejam fazer ‘uma limpeza’ étnica em seus territórios.”
“A ideia de viagem no tempo não é tão louca quanto parece.” 
Em artigo escrito para o Daily Mail em 2010, Hawking revelou que, por muito tempo, evitou falar sobre viagem no tempo por receio de ser rotulado de louco. Mas com o passar dos anos, deixou essa abordagem de lado.
“Eu sou obcecado com o tempo. Se eu tivesse uma máquina do tempo, eu visitaria Marilyn Monroe em seus dias de glória ou iria atrás de Galileu enquanto ele construia seu telescópio. Talvez eu até viajasse para o fim do universo para descobrir como a nossa histórica cósmica termina”, escreveu.
O físico seguia a ideia proposta por Einstein de que o tempo era uma das quatro dimensões que conseguimos perceber no Universo — como a largura, a profundidade e o comprimento. “Tudo tem um comprimento no tempo, bem como no espaço”, explicou. Logo, viajar no tempo seria viajar pela quarta dimensão, uma espécie de portal com o nome de “buraco de minhoca”.
Os buracos de minhoca estão por toda parte do nosso redor, mas eles são muito pequenos para que consigamos vê-los. Eles ocorrem em fendas e cantos do espaço e do tempo. Alguns cientistas acreditam que talvez seja possível aumentá-los o suficiente para que humanos ou naves espaciais possam utilizá-los.”
As coisas podem escapar de um buraco negro, tanto para o lado de fora, como também possivelmente em um outro universo." 
Em 1974, Hawking argumentou que os buracos negros, supostamente campos gravitacionais impossíveis de se escapar, emitem um tipo de radiação térmica por conta de efeitos quânticos. Chamada de radiação Hawking, quando emitida em grande quantidade, teoricamente, pode fazer com que o buraco negro desapareça e que, com isso, a informação sobre o estado físico de um objeto que cai no buraco negro seja destruída.
Isso aconteceria de acordo com a relatividade geral. Já sob o ponto de vista da mecânica quântica, essa mesma informação não poderia se perder. Esse paradoxo tem perdurado pelos últimos 40 anos.
Em 2004, o cientista mudou de ideia, afirmando que a informação poderia sobreviver. No fim de agosto de 2015, ao falar da radiação Hawking, o cosmólogo sugeriu uma nova abordagem que pode mudar para sempre a forma como buracos negros são vistos e discutidos. “Eu proponho que a informação não é armazenada no interior do buraco negro, como é de se esperar, mas sim em seu limite, o horizonte de eventos”, disse o cientista.
Basicamente, ao ser sugada pelo buraco negro, a informação passaria por um processo de tradução, criando um holograma da informação que sobreviveria e escaparia pelo horizonte de eventos. “Os buracos negros não são tão negros como os fizemos parecer. Eles não são as prisões eternas que já foram considerados uma vez”, explicou Hawking.
“Você tem que ter uma atitude positiva e tirar o melhor da situação na qual se encontra.” 
O cosmólogo foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica quando tinha 21 anos. Na época, a previsão dos médicos era de que Hawking teria apenas mais três anos de vida. Ele lidava com a doença se focando em atividades relacionadas com a física teórica, que não exigiam seu esforço físico. “A ciência é uma área boa para pessoas deficientes porque ela precisa principalmente da mente”, afirmou.
Manter alguém vivo contra a sua vontade é uma grande indignidade."
O suicídio assistido deveria ser um direito dos pacientes de doenças terminais, de acordo com Hawking. O cientista afirmou, durante um programa da BBC, em junho de 2015, que consideraria dar um fim à própria vida se sentisse ser um fardo para outras pessoas e não tivesse mais contribuições a fazer. No entanto, ele admitiu que ainda tinha muito a oferecer à sociedade. “Nem pensem que eu vou morrer antes de desvendar mais segredos do universo”, declarou.
Nós somos uma espécie avançada de macacos em um planeta menor de uma estrela mediana. Mas nós conseguimos entender o Universo. E isso nos torna muito especiais.”
O objetivo de Hawking era obter a compreensão total do Universo, como os motivos de ele ser como é e a razão de ele existir. A dica do cientista para as pessoas era olhar para as estrelas e não para baixo, para os próprios pés. “Tente encontrar sentido no que você vê, e se pergunte sobre o que faz o Universo existir”, dizia. “Seja curioso.”

FONTE: Revista Galileu

"O Universo além do Big Bang" - Documentário THC

Oi oi ois pessoas!
Aos meus alunos dos 3ºs anos, como prometido, segue o Documentário passado em aula:
 "O Universo além do Big Bang"



Divirtam-se!!

Química e Literatura

Olá olá!!
Esta é uma postagem em especial aos meus alunos do Ensino Médio, mas pode também ser útil a quem gosta de associar literatura à Química.
Para acessar aos livros propostos em sala de aula, basta clicar no link: Livros de Química para download, ou clicar na ABA de mesmo nome logo no início deste Blog.
Na página que e abrir ao clicar no link, as última sugestões de livros são os literários, lá vocês encontrarão tanto o Volume 01 de O Guia do Mochileiro das Galáxias (alunos dos 3ºs anos), quanto O Perfume - a história de um assassi
no (Alunos do 2º ano E). Em relação ao George e o Segredo do Universo, infelizmente não encontrei cópia em PDF completa disponível, apenas o 1º capítulo, disponível pela própria editora, que você pode acessar por aqui: http://editora.globo.com/crescer/pdf/171_livro_george.pdf.
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Neste último final de semana, fui até a Livraria Leitura, no Goiânia Shopping, e a gerente está reforçando o estoque deles para atender à vocês! Aproveitem!!
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Bom, espero que iniciem a leitura o quanto antes, para que possamos estar desenvolvendo as atividades em sala de aula, à tempo.
Combinados?!
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Um mol de abraços a todos!
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Quimilokos Solidários


Há um tempinho tenho colocado em prática um pouco além do "ensinar em sala de aula". Tenho tentado trabalhar outro lado em meus alunos, e despertar (ou aflorar) no mesmos, a prática de levar ao próximo um pouco do que você aprendeu até hoje, ou apenas um sorriso a uma criança.
Sentar e ler um livro rodeada de crianças num orfanato...ou levar carinho, um sorriso, um brinquedo, um pouco de atenção a quem está hospitalizado...ou fazer pequenos experimentos (simples e com material de baixo custo)...
Acho que estou sentindo os ventos alterando minha perspectiva para o Projeto de Doutorado. 
Meu Orientador/Ocidentador Soberano Márlon Soares me disse algo quando eu ainda estava no Mestrado e que mudou minha vida, e por consequência, meu Projeto, na época (e inclusive consta na minha própria Dissertação essa trajetória toda): "Não é você quem escolhe seu Projeto...é o Projeto que te escolhe!" E eu garanto a vocês que, não existe nada melhor do que você Pesquisar algo que goste!
E os ventos têm me levado em direção à Educação Infantil..💗
Vejamos como a vida se reorganizará.
Por hora, vou deixar algumas das atividades de voluntariado que meu grupo do CEPMG - Ayrton Senna "CLUBE DOS NERDS E OTAKUS", juntamente com o "ALQUIMISTAS E QUÍMICOS" do Centro Universitário de Goiás Uni-ANHANGUERA, com a parceria de amigos cosplayers do "COSPLAY CLASSE A" e do "CONSELHO JEDI DE GOIÁS", desenvolvemos com crianças e adultos nesta última semana, em virtude do Dia das Crianças, no HUGOL - Hospital de Urgências de Goiânia, no Zoológico, no Setor Madre Germana...enfim...tantas outras atividades!!
Vou tentar postar novamente, simultaneamente ao acontecimento de cada uma, de agora em diante. 😊









 




E olha nós, no JORNAL O POPULAR, daqui de Goiânia:
"Pacientes do Hugol recebem visita de personagens de desenhos e filmes no Dia das Crianças - O Popular"
Veja mais em: 
https://www.opopular.com.br/editorias/cidade/pacientes-do-hugol-recebem-visita-de-personagens-de-desenhos-e-filmes-no-dia-das-crian%C3%A7as-1.1369119
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UM MOL DE ABRAÇOS A TODOS!!
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Química Orgânica - Perfluorocarbonos - O Segredo do Abismo

Olá Quimilokos.
O material que estou disponibilizando hoje, refere-se ao filme "O Segredo do Abismo", indicado em sala de aula.
Para saber um pouquinho mais sobre os PERFLUOROCARBONOS citados no filme, e sua utilização, acesse:
Ventilação Líquida: da ficção à realidade., e leia o Ensaio escrito por Cristiano Feijó Andrade, Luiz Alberto Forgiarini Junior (doutorando) Programa de Pós-graduação em Ciências Pneumológicas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Paulo Francisco Guerreiro Cardoso Departamento de Cirurgia, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Segue logo abaixo o arquivo para ser lido on-line, para quem preferir.


Sinopse e detalhes do Filme

Uma equipe de uma platorma civil de exploração de petróleo se vê repentinamente com a missão de tentar resgatar o USS Montana, um submarino nuclear que afundou misteriosamente com 156 tripulantes e, após o ocorrido, não houve mais contato. A plataforma é usada para a "Operação Salvo", a operação de resgate que visa resgatar a tripulação do Montana, pois apesar de saberem onde está o submarino um furacão se aproxima e, assim, a Marinha não terá tempo hábil de chegar ao local. Com isso, a equipe da plataforma se torna a melhor opção para realizar o salvamento, ficando acertado que o tenente Coffey (Michael Biehn) supervisionará as operações. Entretanto, Bud Brigman (Ed Harris), um mergulhador que chefia a plataforma, diz à operação que acaba de pressentir que sua equipe corre perigo, mas Brigman não poderia imaginar que iria se deparar com algo totalmente surpreendente.

CURIOSIDADES SOBRE O FILME

Formato pioneiro
O Segredo do Abismo foi o primeiro filme lançado no formato de laserdisc, uma espécie de proto-DVD.

Prêmios
- Ganhou o Oscar de Melhores Efeitos Especiais, além de ter sido indicado em outras 3 categorias: Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Som.

Literatura e cinema
Ainda antes do início das filmagens de O Segredo do Abismo, o diretor James Cameron entrou em contato com o escritor Orson Scott Card sobre a possibilidade de produzir um livro sobre a história do filme que iria realizar. Ao saber da proposta através de seu agente Card inicialmente a descartou, dizendo que não fazia "novelizações" de filmes. O escritor mudou de idéia após saber que o pedido havia sido feito por Cameron, mas exigiu do diretor que tivesse liberdade para desenvolver a "novelização" da maneira como achasse melhor. Após um encontro com Cameron, Card escreveu três capítulos que apresentavam os personagens Bud e Lindsay Brigman em um período anterior ao que é mostrado no filme. Após receber tais capítulos, James Cameron os entregou aos atores Ed Harris e Mary Elizabeth Mastrantonio, no intuito de ajudá-los na composição de seus personagens.

Diplomados
Todos os atores de O Segredo do Abismo tiveram que obter certificados de mergulhadores antes do início das filmagens.

Entrega total
A grande maioria das cenas de O Segredo do Abismo foram realizadas pelos próprios atores do elenco, e não por dublês.

Para vê-los e ouvi-los melhor
As máscaras de mergulho utilizadas foram desenhadas especialmente para o filme, de forma a permitir a melhor visualização das faces dos atores. Dentro das máscaras foram ajustados microfones que permitiram que os diálogos ditos pelos atores fossem captados e utilizados no filme. Os sons feitos pelos reguladores das máscaras foram também gravados, mas posteriormente eliminados na edição de som.

Estrutura recorde
Grande parte das filmagens subaquáticas de O Segredo do Abismo foi realizada em um tanque de reator nuclear ainda em construção em Gaffney, na Carolina do Sul. Lá também foi construído o maior set de filmagens subaquático já feito até então, em um tanque de 7 milhões de galões d'água.

Adversidades
O tanque utilizado em O Segredo do Abismo tinha 40 pés de profundidade, mas como tinha muita luz na superfície a produção foi obrigada a construir um "tampão gigante" e ainda colocar bilhões de minúsculas bolhas pretas de plástico para bloquear a luz. Durante uma violenta tempestade o "tampão" acabou sendo destruído, o que fez com que o restante das filmagens ocorresse à noite.

O dilema da citação
A versão original de O Segredo do Abismo a ser exibida nos cinemas foi forçada a retirar do início do filme, ainda antes do surgimento dos créditos, a frase de Nietzsche que dizia "...when you look long into an abyss, the abyss also looks into you" (traduzindo, "quando você olha por muito tempo dentro do abismo, o abismo também olha dentro de você"). O motivo por tal retirada foi que esta mesma frase fora utilizada em Inocente ou Culpado (1988), sendo que Cameron queria evitar as acusações de imitação em seu filme. Entretanto, tal frase foi incluída na versão do diretor, lançada anos depois.

Tanque preservado
Devido a questões financeiras, o set de filmagens subaquático de O Segredo do Abismo nunca foi desmontado. Ele permanece montado no tanque de reator nuclear da Carolina do Sul, agora esvaziado, sendo que a Fox colocou ao seu redor diversos avisos a possíveis curiosos e fotógrafos de que aquele material é de sua propriedade e que fotos e filmagens são proibidas de acordo com a lei do copyright.

Director's cut
Em 1992 foi lançada uma versão alternativa chamada O Segredo do Abismo - Versão do Diretor, que continha 28 minutos de material extra em relação à versão original do filme.

FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-4992/


Bom filme e um ótimo trabalho!!
“Abandonar a Ciência é o caminho de volta à pobreza e ao atraso.”
[Carl Sagan]

Um pouco mais sobre os PERFLUOROCARBONOS

Há décadas a respiração por meios liquidos fascinam a humanidade, mas será que existe uma possibilidade real de atingirmos esse objetivo?
A resposta é simples: sim, para campos de pesquisas médicas, principalmente. A idéia de respirar em meio a substâncias líquidas aparece na literatura médica no final da Primeira Guerra Mundial, o objetivo era investigar a fisiologia pulmonar a partir da introdução desses liquidos no interior dos pulmões, mas esse sonho ainda estava longe de ser realizado. Somente em 1962 que as pesquisas tiveram grandes avanços, um fisiologista chamado Johannes Kylstra (1925 - 2005) descobriu que ratos cujos os pulmões tinham sido preenchido por uma substancia salina, Ringer-lactato, poderiam sobreviver até 18 horas quando submerso a altas pressões, semelhante às das regiões fundas dos oceanos, mas a pouca solubilidade principalmente do dióxido de carbono em solução salina tornou essa substância inepto para uso. Na mesma década os bioquímicos norte-americanos Leland Clark (1918 - 2005) e Frank Gollan (1910 - 1988) fizeram testes em camundongos e gatos com um líquido chamadoPerfluorocarbono (PFC - projeto desenvolvido durante a Segunda Guerra Mundial -Projeto Manhattan) e relataram que estes animais podiam sobreviver por várias horas imerso nesse líquido.

Características:
Os Perfluorocarbonos ou Perfluoroalcanos são uma família de compostos derivados de um Hidrocarboneto, onde os átomoS de hidrogênio foram substituídos por átomos de flúor.
Fórmula geral: CnEmc2, n = 15 anos
Semelhantes à água são incolores, inodoros e insípidos. São quimicamente estáveis, têm baixa tensão superficial e sua densidade é maior que a da água, são excelentes para troca de gases como hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e dióxido de carbono.
Estudos científicos realizados nos últimos anos revelaram que em animais com lesão pulmonar a ventilação líquida, quando comparada com a ventilação mecânica convencional, demonstrou melhora na troca gasosa e diminuição de danos aos pulmões. Relatos preliminares revelam que o perfluorocarbono pode ser utilizado com segurança em humanos. A ventilação líquida aumenta a troca gasosa por recrutar regiões do pulmão dependentes da gravidade – em que há perfusão (passagem de líquido), mas não são ventiladas e redistribui o fluxo sanguíneo para as áreas ventiladas. A utilização da ventilação líquida parcial atenua a lesão pulmonar devido à baixa tensão superficial e às propriedades anti-inflamatórias dos PFCs. A utilização de perfluorocarbonos na preservação de órgãos sólidos passou a ser apontada recentemente como alternativa para a proteção da chamada lesão de reperfusão, que compreende vários fenômenos decorrentes da recirculação de sangue em um órgão cuja circulação sanguínea tenha sido interrompida (isquemia). No entanto, sua real utilidade ainda precisa ser definida. Mas o uso de PFCs como carreadores de substâncias diretamente para o pulmão e seu emprego em transplantes do órgão são a grande esperança na melhora da viabilidade pulmonar. Apesar dos inúmeros avanços ocorridos na utilização da ventilação líquida, seu emprego ainda é limitado por diversos fatores, destacando-se entre eles o elevado custo. Sua utilização está restrita a poucos centros de pesquisa, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá, onde se utiliza o perfluorobromido (o único PFC liberado para ensaios clínicos). Em outros países são utilizados PFCs ainda considerados não ideais para a ventilação líquida. A dificuldade de manejo dos pacientes submetidos à ventilação líquida também é um fator que restringe sua aplicação.

FONTE: CAMPO CIÊNCIA