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"Professores brasileiros precisam aprender a ensinar"

Olá pessoal!
Primeiramente gostaria de agradecer a cada um que disponibilizou 'um beicim de pulga' de seu tempo para estar votando no QUIMILOKOS lá no Top Blog 2009!!! A votação popular foi encerrada no último dia 11 de Agosto, mas fiquei muitíííííssimo feliz em ver que estávamos classificados entre os 100 primeiros da Categoria Variedades [a que estávamos inscritos!^^!]. Em nenhum momento tive a intenção de estar em primeiro lugar da classificação geral e, se bem me lembro estava em 500 e pouco...Mas quando vi que eram mais de 72000 inscritos [aff!!], minha felicidade foi a mil por hora!!! E é por isso que quero deixar meus sinceros agradecimentos a cada um que colaborou para chegarmos nesta posição!!! Em especial duas pessoinhas lindas que amo muito(^^): a Major Lys Andrea e a Professora Suelma! Muito grata, minhas amigas, pela divulgação e votação maciça!!
.
Estava atualizando meus e-mails aqui e, parei em uma reportagem que saiu na Folha de São Paulo, no dia 10 de Agosto próximo. As autoras são Maria Cristina Frias e Roberta Bencini.
Sinceramente...tem algumas verdades que doem ser ouvidas [ou lidas, neste caso]...e outras que, não se encaixam de forma alguma [opinião particular] com nossa realidade não só a nível de Brasil, como também [no meu caso] a nível de Goiás. De qualquer forma, segue a reportagem, pois achei que seria importante estar disponibilizando a vocês.
Abraços!
.

Para economista, é preciso supervisionar o que ocorre na sala de aula
no Brasil; problema também afeta escola particular

Maria Cristina Frias e Roberta Bencini escrevem para a "Folha de SP":

"Por que alunos cubanos vão tão melhor na escola do que brasileiros e
chilenos, apesar da baixa renda per capita em Cuba?" A pergunta
norteou estudo do economista Martin Carnoy, professor da Universidade
Stanford, que filmou e mensurou diferenças entre atividades escolares
nos três países.
No Brasil, o professor encontrou despreparo para ensinar e atividades
feitas pelos alunos sem controle. "Quase não há supervisão do que
ocorre em classe no Brasil."
Para ele, o problema também atinge a rede particular. "Pais de escolas
de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam
melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do
Canadá."
Carnoy sugere filmar o desempenho dos professores. "Não basta saber a
matéria. É preciso saber como ensiná-la." Ele esteve no Brasil na
semana passada para lançar o livro "A Vantagem Acadêmica de Cuba",
patrocinado pela Fundação Lemann.

Leia a entrevista:

- O que mais chamou a sua atenção nas aulas no Brasil?
Professoras contratadas por indicação do secretário de Educação do
município, que dirigem a escola e vão lá de vez em quando; 60% das
crianças repetem o ano, e professoras pensam que isso é natural porque
acham que as crianças simplesmente não conseguem aprender. Fiquei
impressionado, o livro [didático usado na sala de aula] era difícil de
ler. Precisaria ter alguém muito bom para ensinar aquelas crianças com
ele. Ficaria surpreso se qualquer criança conseguisse passar [de ano].
Vi escolas na Bahia, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Rio...
[entre outros].

- Qual a metodologia do estudo?
Como economista, usei dados macro para explicar as diferenças entre os
países nos testes de matemática e linguagem. Fizemos análises com
visitas a escolas e filmamos classes de matemática e analisamos as
diferenças entre as atividades em classe. Há uma grande diferença,
pais cubanos têm renda baixa, mas são altamente educados, em
comparação com os do Brasil. O estudo foi finalizado em 2003 e depois
comparamos Costa Rica e Panamá. Na Costa Rica, há coisas engenhosas,
aulas com duas horas, em que se pode realmente ensinar algo.
Supervisionar a resolução de problemas de matemática e,
principalmente, discutir resultados e erros. Os alunos cubanos têm
aulas acadêmicas das 8h às 12h30. Depois, almoço. Voltam às 14h e
ficam até as 16h30, quando têm uma sessão de TV por 40 minutos. A
seguir, artes e esportes, mas com o mesmo professor.

- Ter o mesmo professor durante quatro anos (como os cubanos) é uma vantagem?
Quatro anos, pelo menos. Mas os alunos não mudam de um ano para outro.
No Brasil, se alunos e professores mudam muito de escola, como fazer
isso? Se a ideia é tão boa, se funciona, deveríamos fazer algo para
que pelo menos professores não mudassem tanto.

- Qual a sua avaliação sobre a proposta da Secretaria da Educação do
Estado de São Paulo que vincula o aumento de salário à permanência do
professor na mesma escola e à aprovação em testes?

Sugeri ao secretário Paulo Renato que acrescentasse um teste: filmar o
professor, como no Chile. Professores de outra escola avaliam os
videoteipes. Professores podem ser bons nos testes, mas péssimos para
ensinar. Se você tiver um professor experiente que foi bem ensinado a
ensinar e teve um bom desempenho com os alunos, a diferença é visível
em relação a uma pessoa sem experiência, como eu. Profissionais que
viram as fitas disseram que há grande diferença entre o professor
cubano e o brasileiro.

- A Secretaria da Educação pretende oferecer curso de treinamento de
professores de quatro meses. Em Cuba, dura 18 meses, para o nível
médio. O que é importante num treinamento?
[Em Cuba] São oito meses para a escola fundamental. Mas são para os
professores que não foram à faculdade. Você deve se lembrar que houve
escassez de professores, com o incremento do turismo, que atrai pelo
pagamento em dólares. Tiveram de produzir muitos professores, muito
rapidamente. Então, pegaram os melhores estudantes do ensino médio e
lhes ofereceram cinco anos de universidade nos finais de semana. O que
é importante nesses cursos de treinamento é ensinar como dar o
currículo, como ensinar matemática. O Estado deve estabelecer padrões
claros, como na Califórnia. Isso é o que tem de ser ensinado em
matemática no terceiro ano. No Chile, há um currículo nacional, mas
não ensinam aos estudantes de pedagogia como ensinar o currículo.

- O sr. dá muita importância ao diretor...
E também à supervisora, que em muitas escolas no Brasil não fazem
nada, não entram em sala. Em Cuba, diretores e vice-diretores ou
supervisoras assistem às aulas. Nos primeiros três anos de serviços de
um professor, eles entram muito, ao menos duas vezes por semana. São
tutores que asseguraram que a instrução siga o método e o nível
requeridos pelos padrões estabelecidos.

- Os bônus a professores, como ocorre no Estado de São Paulo, são um
bom caminho?
Não há boas evidências de que esse sistema de estímulo funciona. O
modelo usado em São Paulo, em que todos os professores ganham mais
dinheiro se a escola atingir a meta, pode funcionar. Tentaram isso na
Carolina do Sul, no final dos anos 80. Foi um grande sucesso por
poucos anos e, depois, deixou de sê-lo porque não houve mais melhora.
Eles só atingiram um certo limite e não conseguiram mais progredir. Há
o efeito inicial do esforço e depois, quando as pessoas têm que saber
melhor como aprimorar o desempenho dos alunos, nada acontece. E não
existe mais na Carolina do Sul. O que tem sido feito, em geral, nos
EUA não é bônus, mas punição. Se a escola fracassa em atingir a sua
meta em três anos, como na Flórida, os estudantes podem receber
vouchers e frequentar escolas particulares, em vez de públicas. A
forma como estão fazendo em São Paulo não é a melhor. Eles medem neste
ano como a segunda série aprende e, no próximo, quanto a segunda série
aprende. Mas não os mesmos alunos. Escolas pequenas têm mais chance de
receber bônus do que grandes. Se a escola cai, não há punição. Só não
recebe bônus. Não estou defendendo punição, só digo que eles [bônus]
são mal mensurados. Você pode fazer como em São Paulo, mas não dar
bônus todo ano, e sim a cada dois anos. E aí poderá ver o que se
ganhou com os alunos que se mantiveram na escola e ter as médias, mas
com as mesmas crianças através das séries. O problema da falta de
professores é mais grave porque é sobretudo um absenteísmo autorizado,
não é ilegal. Em Cuba, professores e alunos faltam pouco. É tudo
controlado.

- Melhorar o ensino público provocaria um avanço na educação como um
todo, inclusive nas escolas particulares?

Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos
filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de
classe média do Canadá. Mesmo os melhores docentes brasileiros são
menos treinados do que os de Taiwan. Os melhores professores no Brasil
têm em média desempenho abaixo da média do professorado de países
desenvolvidos. Investir e melhorar a escola pública, que é a base de
comparação dos pais, elevaria o resultado das melhores escolas
particulares também. Professores são bons em pedagogia, mas não no
conhecimento a ser ensinado. Não treinam muito matemática e não sabem
como ensiná-la.

- O que do modelo cubano não pode ser transposto considerando que Cuba
vive sob ditadura?

Há, de fato, uma falta de criatividade [no ensino]. Não se pode
questionar, ser contra a Revolução. Mas as crianças sabem que estão
aprendendo o esperado. São bons em matemática, sabem ler bem e
aprendem muita ciência, mesmo nas escolas rurais ou de bairros urbanos
de baixa renda. O Brasil tem a capacidade de enfrentar esses problemas
[ter crianças bem nutridas, com bom atendimento médico]. Por que em
uma sociedade com uma renda per capita que não é tão baixa não se faz
isso? Acho que tem de ser construído um sistema de supervisão, com
pessoas capazes de ensinar e treinar novos professores a ensinar. Os
professores no Brasil estudam muito linhas de pedagogia e menos como
ensinar. Podem esquecer tudo aquilo de Paulo Freire, um amigo. Devem
ler sua obra como exercício intelectual, mas queremos que professores
saibam ensinar.

- Não é possível conciliar na América Latina bom ensino com autonomia,
democracia?
A melhor escola é a que tem professores com democracia. Mas temos de
ter um acordo de quais são os nossos objetivos. Tony Alvarado é um
supervisor em Manhatan que trocou metade dos professores e dos
diretores para melhorar a qualidade das escolas. Ele disse aos
professores: "Este é o programa. Vão implementá-lo comigo ou não? Têm
uma semana para pensar. Se não quiserem, são livres para sair".

- No Brasil seria mais difícil...
Seria muito mais fácil! Um quarto do professorado muda de escola todo
ano! Em Nova York, não se demitiu. Alvarado mandou-os para outros
bairros. Precisa, no início, de um certo autoritarismo. Porque alguém
tem de dizer o que fazer no início. E depois, sim, há uma democracia.
Os diretores devem se preocupar com os direitos das crianças. Em Cuba,
é o Estado. Aqui, os sindicatos de professores preocupam-se com os
direitos dos associados - e estão em certos em fazê-lo. Mas e as
pobres crianças que não têm sindicatos para defender seus direitos à
educação?

(Folha de SP, 10/8)

Fonte de consulta: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=65279

2 comentários:

Profª Cristiana Passinato disse...

Linda, mas vc está em 7º no geral e 4º da variedades e hj pelo Twitter e site sai algum posicionamento, e gostaria de ver vc e a Andréa comigo, caso haja algum resultado positivo pra nós, no Pesquisas, lembra-se?
Vc, eu e a Andréa vencemos nessa parada, sim, esses 72 mil blogs, dessa maneira, não precisamos do 1º lugar, mas já temos essa maravilhosa votação popular ao nosso lado.
Aliás, se for dividido em categoria/grupo, somos do Variedades/Profissional, e nesse caso, seríamos primeiro desse grupo na votação do júri popular, então, minha amiga, ainda estamos no páreo e fique ligada, ainda tem o Júri Acadêmico pros Top100 que hj serão divulgados, ok?
Bjs,
Cris

Profª Thaiza disse...

Muito obrigada por tudo sempre, Cris!!
Nem é justo vc dizer que 'eu tbm estou entre os 1ºs....que eu estou classificada'...
=/
Ando tão em falta no Pesquisas que nem sei dizer...
Quem está DEFINITIVAMENTE de parabéns por todo o sucesso é VOCÊ, minha amiga!!
Assim que estiver menos maluca por aqui, vou aparecer por lá e dar uma atualizada no que for possível, ok?!
[]'s

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